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Buscas em propriedades de Cristina Kirchner prosseguem na Patagônia

24/08/2018 17h33

Buenos Aires, 24 Ago 2018 (AFP) - As batidas nas residências de Cristina Fernández de Kirchner, suspeita de comandar um estendido sistema de corrupção durante sua Presidência, entre 2007 e 2015, prosseguem nesta sexta-feira (24) em uma propriedade que ela possui na Patagônia, no extremo sul da Argentina.

Realizadas a pedido de um juiz com forte mobilização policial e transmitidas ao vivo pela TV, as operações começaram na quinta-feira em um apartamento de Cristina em Buenos Aires e em uma casa da ex-presidente peronista em Río Gallegos, também na Patagônia.

Falta inspecionar uma residência privada de descanso em El Calafate, localizada em frente à geleira Perito Moreno nesta remota região austral.

As inspeções de quinta-feira, na qual foram usadas escâneres e outros equipamentos eletrônicos, foram feitas sem a presença do juiz Claudio Bonadio, que ordenou as apreensões, nem do procurador Carlos Stornelli, a cargo da investigação.

Río Gallegos é a capital da província de Santa Cruz (sul), de onde era originário seu marido, já falecido, o ex-presidente Néstor Kirchner, que governou a Argentina entre 2003 e 2007. Dali, formaram em dupla uma carreira política marcada desde o começo - segundo seus detratores - por atividades de corrupção em larga escala.

Cristina Kirchner alega, em troca, ser vítima de uma campanha de perseguição política e assegura que a mesma também afeta outros líderes progressistas na América Latina, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde abril por corrupção e lavagem de dinheiro.

Carlos Beraldi, advogado de Kirchner, questionou o juiz Bonadio por não ter autorizado sua presença durante a batida e antecipou que pedirá a anulação da apuração e apresentará um pedido de julgamento político contra o magistrado.

As apreensões requeridas por Bonadio precisaram a aprovação do Senado, visto que a ex-presidente, eleita senadora em 2017, está amparada pelo foro privilegiado, e portanto não pode ser detida, mas pode ser acusada e condenada.

"Na hora de uma batida, quem abre a porta, quem é notificado, tem o direito de estar presente. Pela expulsão de Beraldi, é nulo", disse nesta sexta-feira à C5N Alberto Fernández, ex-chefe de Gabinete de Cristina Kirchner.

Kirchner ficou nas noites de quarta e quinta-feira na casa de sua filha, Florencia, em outro bairro da capital argentina, sem fazer declarações públicas.

A senadora, de centro-esquerda peronista e que sucedeu seu marido, Néstor Kirchner, na Presidência, é a pessoa de mais alto cargo envolvida no escândalo conhecido como "os cadernos da corrupção", que investiga supostas propinas de importantes empresários entre 2005 e 2015 em troca de contratos de obras públicas.

Segundo cálculos iniciais, o esquema de propinas na obra pública relevado nestes cadernos manuscritos poderia alcançar 160 milhões de dólares.

Na mídia argentina circulam cifras astronômicas na hora de especular sobre a quantia total supostamente roubada da Argentina pelo sistema corrupto dos "K".

O presidente Mauricio Macri afirmou na quinta-feira que nunca antes se viu a corrupção chegar a "uma forma tão sistemática e global" e assegurou que os argentinos devem se sentir orgulhosos "porque é preciso ter coragem para expor a verdade e colocá-la sobre a mesa". O grupo empresarial da família Macri foi protagonista durante décadas no setor de obras públicas na Argentina.

- Apoios -Na tarde de quinta-feira, a ex-presidente esteve no Instituto Pátria, seu centro de atividades políticas em Buenos Aires, onde recebeu dirigentes aliados, entre eles de organizações de direitos humanos.

"Fomos dar nosso apoio à colega Cristina diante da perseguição política absolutamente condenável", escreveu o grupo HIJOS (de desaparecidos da ditadura 1976-1983) no Twitter, junto com a foto registrada do encontro.

Uma convocação para manifestar-se em apoio à ex-presidente na próxima segunda-feira no centro de Buenos Aires foi lançada nas redes sociais.

Em sentido contrário, na terça-feira passada, milhares de pessoas se reuniram em frente ao Congresso para pedir a suspensão do foro privilegiado da senadora.

Kirchner é a principal dirigente da oposição e se coloca como a mais bem posicionada às eleições presidenciais de outubro de 2019, nas quais Mauricio Macri pode se candidatar à reeleição.

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