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Governo de Porto Rico eleva a 2.975 número de mortos por furacão Maria

28/08/2018 19h49

Miami, 28 Ago 2018 (AFP) - O governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, elevou nesta terça-feira (28) de 64 a 2.975 o balanço oficial de mortos pelo furacão Maria em 2017, ao adotar um estudo da Universidade George Washington que põe fim a 11 meses de polêmica.

"Estou dando uma ordem para que agora atualizem o número de mortes oficiais para 2.975", declarou Rosselló a jornalistas em San Juan, capital deste território americano.

Horas antes, a Universidade George Washington havia divulgado a análise, encomendada pelo governo porto-riquenho, que considerou que o balanço foi "22% superior ao número de mortos que poderiam ter acontecido durante esse período sem a tormenta".

"Isso é uma devastação sem precedentes", comentou o governador, que responsabilizou em parte a burocracia pela qual a ilha teve que passar para ter acesso à ajuda do governo federal de Washington.

Nas semanas posteriores ao desastre, foi difícil conseguir comida, água fresca e gasolina. Além disso, muitos idosos e doentes que dependiam da energia elétrica para respiradores, diálise, ou para refrigerar a insulina, por exemplo, sofreram as consequências.

O relatório detalhou que a equipe de emergência do Departamento de Saúde porto-riquenho tinha um "plano desatualizado", que as agências de emergência não estavam preparadas "para furacões superiores à categoria 1", e que as campanhas de informação não alertaram a população adequadamente sobre a possibilidade de uma catástrofe.

Também indicou que os médicos careciam do treinamento necessário para certificar as mortes nos casos de desastres.

"Como governador assumo a responsabilidade que me compete", mas "existe responsabilidade de todas as partes", acrescentou quando perguntaram sobre a resposta do presidente Donald Trump.

- Zero consideração política -Trump foi criticado por demorar a entregar a ajuda federal a Porto Rico, em comparação com a rapidez com que esta chegou à Flórida e ao Texas, atingidos pouco antes por Harvey e Irma.

Quando foi questionado sobre esta polêmica, Rosselló respondeu: "Reconheço que cometemos erros, que podíamos ter feito coisas de maneira mais efetiva. Mas nego terminantemente que qualquer uma dessas coisas tenha alguma consideração política. Zero consideração política".

Não obstante, admitiu que "não há dúvidas de que em Porto Rico o processo burocrático foi mais extenso do que em outras jurisdições similares como Texas e Flórida, e isso certamente é um fator que limitou a nossa recuperação".

Um mês depois do furacão, em 20 de setembro, quando a cifra oficial de mortos era estimada em 16, o presidente disse em sua defesa que o desastre não era nada comparado aos mais de 1.800 mortos deixados pelo furacão Katrina na Louisiana em 2005.

Este comentário, somando à demora da resposta e às imagens do presidente jogando aos atingidos rolos de papel higiênico, indignou a população.

O governo havia estabelecido em 64 o balanço inicial de mortos, uma cifra que gerava desconfiança entre as testemunhas do desastre.

Estudos independentes de meios de comunicação mostraram posteriormente cifras muito superiores. Em maio, a Universidade de Harvard, usando outra metodologia, indicou que haviam falecido mais de 4.600 pessoas.

- Excesso de mortes -O estudo analisou os padrões de mortalidade de Porto Rico entre 2010 e 2017 para prever a média esperada se o furacão Maria não tivesse acontecido. Depois examinou as mortes "excedentes" ocorridas setembro do ano passado, quando o Maria atravessou a ilha com ventos de 250 km/h, e fevereiro de 2018.

"O risco de morte foi 45% maior e persistente até o final do período analisado para as populações de baixo desenvolvimento socioeconômico", indicou o estudo, acrescentando que os homens maiores de 65 anos tiveram uma maior taxa de mortalidade.

Além disso, 40% dos municípios sofreram uma mortalidade significativamente maior entre setembro e fevereiro, comparado aos dois anos anteriores.

O governador Rosselló assegurou que instalará um comitê para colocar em prática as recomendações do estudo e criará um registro de pessoas com doenças crônicas para poder alertá-las de forma mais específica caso haja a possibilidade de uma catástrofe.

Junto com a desolação deixada pelo Maria houve um êxodo maciço aos Estados Unidos, o que afundou ainda mais a ilha em uma crise fiscal, pela qual havia se declarado em falência alguns meses antes da passagem do furacão.