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Rebeldes consolidam posições em antecipação à ofensiva de Damasco

31/08/2018 14h48

Beirute, 31 Ago 2018 (AFP) - Grupos rebeldes na província de Idleb, no noroeste do país, explodiram duas pontes nos arredores desta última grande fortaleza insurgente, em antecipação a uma ofensiva do regime, informou uma ONG nesta sexta-feira.

Segundo a ONU, a ofensiva poderá provocar uma nova catástrofe humanitária.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, acusou nesta sexta seu colega russo, Serguei Lavrov, de defender o ataque do regime de Damasco, apoiado por Moscou, contra a última grande fortaleza rebelde na cidade síria de Idlib.

"Os Estados Unidos consideram que é uma escalada em um conflito já perigoso", acrescentou.

"Os três milhões de sírios que já se viram obrigados a abandonar seus lares e que agora estão em Idlib vão sofrer esta agressão. Isso não está bem. O mundo está olhando", advertiu o chefe da diplomacia americana.

Situada no noroeste do país em guerra, na fronteira com a Turquia, a província de Idlib está dominada pelos extremistas do Hayat Tahrir al-Sham (HTS). Também há outras facções rebeldes presentes.

Este último grande reduto insurgente está na mira de governo Bashar al-Assad, que acumula vitórias, desde 2015, com o crucial apoio aéreo de seu aliado russo, conseguindo controlar mais de 60% do território.

Recentemente, Estados Unidos, França e Reino Unido advertiram ao presidente Assad e Moscou que não permitiriam nenhum uso de armas químicas por parte do governo, em caso de ofensiva em Idlib.

Neste contexto, os rebeldes consolidaram suas posições na província, para onde o regime de Assad enviou reforços.

As duas pontes na província de Hama, vizinha de Idlib, ligavam os territórios insurgentes às zonas governamentais, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

As facções islamitas da Frente Nacional de Libertação (FNL), a principal coalizão rebelde de Idlib, "explodiu durante a noite as duas pontes, localizadas na área de Sahl al-Ghab em Hama", indicou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane.

Segundo especialistas, os territórios rebeldes da Sahl al-Ghab, que abrangem as províncias de Hama e Idlib, poderiam ser alvos de uma ofensiva do regime e de seu aliado russo.

"Os rebeldes observaram intensa atividade no lado do regime, com a chegada de tanques e veículos blindados na área", disse Abdel Rahmane.

No sul de Idlib, não muito longe de uma linha de frente, combatentes do FNL enchiam sacos de areia e os empilhavam uns sobre os outros para proteger seus postos. Trincheiras e túneis subterrâneos também estão sendo escavados, segundo um correspondente da AFP.

"Estamos consolidando nossas posições em preparação a qualquer possível operação militar do regime", disse à AFP o comandante Abu Marwan, a poucas centenas de metros de uma área ocupada pelas forças do governo.

"Estamos monitorando várias posições do regime e, ao menor movimento, vamos replicar diretamente usando todos os tipos de armas", acrescentou.

Nos últimos dias, o regime e seu aliado russo levantaram o tom sobre a província de Idlib.

Tropas turcas também estão posicionadas na área e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, incluindo FNL, não quer uma ofensiva, temendo um novo fluxo de refugiados.

O conflito na Síria, iniciado em 2011 com a repressão pelo regime de manifestações pró-democracia, transformou-se ao longo dos anos em uma guerra mortal que fez mais de 350.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

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