Divergências entre Turquia e Rússia atrasam ofensiva na síria Idlib

Istambul, 14 Set 2018 (AFP) - As divergências entre a Turquia e a Rússia atrasam a temida ofensiva final do regime sírio contra a província rebelde de Idlib, mas analistas alertam que essa pausa será apenas temporária, uma vez que os dois países concordem com o destino dos grupos armados na área.

A contagem regressiva para o início da ofensiva começou quando os presidentes turco, Recep Tayyip Erdogan, russo, Vladimir Putin, e iraniano, Hassan Rohani, se reuniram em 7 de setembro em Teerã em uma cúpula sobre a Síria.

Entretanto, as divergências ficaram expostas entre Erdogan e Putin, parecem ter incitado a Rússia, aliado de Damasco, a prorrogar a ofensiva para evitar uma ruptura com Ancara, que se opõe ao ataque.

A Turquia apoia os rebeldes sírios. Junto com Rússia e Irã, aliados do regime, os três países impulsionam o processo de Astana, iniciado em 2017 e que permitiu instaurar "zonas de distensão" na Síria, uma delas em Idlib.

Esta província é o último bastião da oposição armada ao presidente Bashar al-Assad, mas é controlada em 60% pelo grupo extremista Hayat Tahrir al Sham (HTS), composto principalmente por ex-jihadistas da Al-Qaeda na Síria.

Desde o fracasso da cúpula de Teerã, os turcos e os russos tentam alcançar um compromisso que lhes permita em particular neutralizar os combatentes do HTS, considerado por Ancara como grupo "terrorista", mas sem lançar uma vasta ofensiva.

Putin e Erdogan devem reunir-se na segunda-feira em Sochi, no sudoeste da Rússia.

- Busca por um compromisso -"Acho que a ofensiva, se há uma, não será feita antes de várias semanas", disse à AFP um responsável turco de alto escalão que pediu o anonimato.

Para a Turquia, país que recebeu mais de três milhões de sírios, há duas questões em jogo.

O país teme que uma ofensiva de grande escala em Idlib, uma região fronteiriça da Turquia, provoque uma nova chegada de refugiados.

Ao mesmo tempo se preocupa pelas centenas de soldados turcos destacados em 12 postos de observação em Idlib que fazem respeitar a "zona de distensão", e pelos grupos rebeldes sírios considerados "moderados", que recebem seu apoio e estão presentes principalmente no sul da província.

Abdul Wahab Assi, analista do centro Jusoor especializado em Síria, estima que as divergências expostas durante a cúpula de Teerã "afastem a possibilidade de uma ofensiva de curto prazo, ao menos até o final do ano".

Segundo Assi, um eventual compromisso poderia se traduzir como "uma operação militar limitada ou bombardeios seletivos" contra HTS, assim como uma modificação dos limites da zona de distensão para afastar os rebeldes de alguns setores.

Considera que a Rússia poderia aceitar um compromisso que permita restabelecer a segurança no trecho da autopista Aleppo-Damasco que cruza Idlib e o fim dos ataques com drones lançados da província contra a base russa de Hmeimim, na província vizinha de Latakia.

O regime de Damasco e a aviação russa multiplicaram os bombardeios em Idlib durante vários dias em setembro, mas nesta semana a intensidade dos ataques diminuiu.

- Reforços 'defensivos' turcos -Segundo a imprensa, a Turquia enviou reforços nos últimos dias a sua fronteira com a Síria e a seus postos de observação em Idlib, principalmente tanques.

No entanto, para o analista militar turco Metin Gürcan esses reforços são "defensivos" e destinados a proteger os postos de observação turcos.

Gürcan considera que a ausência de acordo com a Turquia deveria obrigar a Rússia, assim como Damasco, a "Realizar os ataques por etapas, que poderiam durar meses, ao invés de uma ofensiva ampla que poderia terminar em algumas semanas".

A preocupação de Moscou em poupar Ancara também revela uma certa desconfiança da Rússia com as milícias xiitas pró-iranianas, aliadas ao regime.

"A Rússia precisa da Turquia como potência sunita para contrabalancear a presença de milícias xiitas no norte da Síria", afirma.

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