PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Papa prossegue com limpeza da Igreja no Chile

21/09/2018 18h24

Cidade do Vaticano, 21 Set 2018 (AFP) - O papa Francisco continua com a limpeza da Igreja chilena, atormentado por acusações de abuso sexual de menores, e afastou nesta sexta-feira outros dois bispos, em um total de sete.

Em um comunicado oficial, o Vaticano informou que o papa aceitou a renúncia dos religiosos Carlos Eduardo Pellegrín Barrera, bispo de Chillán desde 2006, e Cristián Enrique Contreras Molina, bispo de San Felipe, acusados de cometer abusos sexuais a menores.

A igreja católica chilena está no olho do furacão pelos escândalos de pedofilia, e o papa decidiu sanear a instituição ao receber informes detalhados após sua visita a esse país, em janeiro.

Em agosto passado a justiça chilena informou as autoridades eclesiásticas da abertura de uma investigação contra o bispo de Chillán, de 60 anos, após uma série de acusações anônimas de abusos sexuais.

O bispo de San Felipe, na região onde se registrou o maior número de denúncias, também está sendo investigado pela justiça de seu país por abusos sexuais cometidos há cerca de 10 anos.

- "Dois a menos" -Em um tuíte, Juan Carlos Cruz, uma das vítimas mais emblemáticas dos abusos cometidos pelo poderoso padre chileno Fernando Karadima, comemorou o afastamento dos dois bispos.

"Alegria para todos no Chile! Dois a menos do grupo criminoso (...). Agora vão responder ante a justiça por abuso e encobrimento! Pouco a pouco (estamos) limpando", escreveu.

Diante da avalanche de denúncias de abusos cometidos no Chile por padres e bispos, o papa decidiu avaliar cada caso de forma individual, e por isso as notificações chegam separadamente e gradualmente, explicaram fontes religiosas.

"Há muitas partes obscuras que supomos e esperamos ansiosamente que, com a saída do cargo, as pessoas finalmente se atrevam a falar, a denunciar o que lhes pareça injusto com tranquilidade", comentou a representante da Rede Laical da cidade de Chillán, Mirena Romero.

Até agora o papa aceitou a renúncia de sete bispos chilenos, que foram substituídos por administradores apostólicos.

Oito das 27 jurisdições eclesiásticas do Chile estão vagos e a cargo de administradores apostólicos, detalhou o Vaticano.

Entre os bispos que foram afastados estão os de Osorno (Juan Barros), Valparaíso (Gonzalo Duarte), Puerto Montt (Cristián Caro), Rancagua (Alejandro Goic) e Talca (Horacio Valenzuela).

O anúncio do Vaticano foi feito depois que Francisco recebeu, nesta sexta-feira no Vaticano, o arcebispo de Concepción, Fernando Chomali, considerado um dos candidatos a substituir o controverso cardeal Ricardo Ezzati, arcebispo de Santiago do Chile.

- Ponto de inflexão -A justiça chilena abriu até agora 119 processos por casos de abusos sexuais e encobrimento na Igreja católica e fez buscas em várias sedes de bispados.

A Igreja católica foi sacudida durante os últimos 25 anos por um grande número de escândalos de pedofilia em vários países, desde Estados Unidos até Irlanda e Austrália.

Em maio passado os bispos chilenos, mais de 30, apresentaram sua renúncia em bloco após se reunirem com Francisco, a quem vítimas e especialistas pedem que aplique com firmeza a "tolerância zero" contra a pedofilia.

Eleito há cinco anos para fazer mudanças em uma igreja sacudida pelos escândalos, o primeiro papa latino-americano da história recebeu, nos últimos meses, duras críticas tanto internas como externas para que tome medidas concretas contra a pedofilia e seus encobridores.

Por isso convocou para fevereiro de 2019 no Vaticano todos os presidentes das 112 conferências episcopais, um encontro-chave.

"Espera-se que essa cúpula seja um verdadeiro ponto de inflexão, radical, convincente, estrutural e urgente" para encarar o fenômeno da pedofilia na igreja, escreveu o religioso chileno Luis Badilla para a página Religión Digital.

Internacional