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Internacional

UE criará entidade legal para manter negócios com Irã

25/09/2018 00h33

Nações Unidas, Estados Unidos, 25 Set 2018 (AFP) - A União Europeia (UE) disse nesta segunda-feira que criará uma entidade legal para preservar os negócios com o Irã, em uma tentativa de evitar as sanções impostas pelos Estados Unidos contra Teerã após Washington abandonar o acordo nuclear com a República Islâmica.

A UE e o Irã manifestaram sua determinação em "proteger a liberdade de seus operadores econômicos para promover negócios legítimos" com Teerã, destaca um comunicado emitido após conversações de alto nível na sede das Nações Unidas.

O anúncio - um desafio ao governo do presidente americano, Donald Trump - foi realizado após conversações de alto nível, na sede das Nações Unidas, com os demais firmantes do acordo nuclear: Alemanha, China, Reino Unido, França e Rússia.

Com o domínio dos EUA e do dólar sobre boa parte do comércio global, o texto destaca que o mecanismo "facilitará os pagamentos das importações e exportações iranianas (incluindo petróleo), o que ajudará e tranquilizará os operadores econômicos que buscam negócios legítimos com o Irã".

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, ao lado do chanceler iraniano, Mohamad Javad Zarif, revelou que ainda se trabalha nos detalhes técnicos.

"Na prática, isto significará que os países membros da UE estabelecerão uma entidade legal para facilitar transações financeiras legítimas com o Irã e isto permitirá às companhias europeias seguir com seu comércio com o Irã sob as leis europeias, permanecendo abertas a outros parceiros do mundo", declarou Mogherini aos jornalistas.

Os signatários restantes do acordo nuclear com o Irã também manterão seus compromissos para apoiar Teerã em seu programa atômico civil.

"Os participantes recordaram que estas iniciativas estão destinadas a preservar o acordo nuclear, algo que é do interesse internacional".

Alinhada com os inspetores da ONU, Mogherini reafirmou que o Irã cumpriu com o acordo nuclear, sob o qual Teerã reduziu drasticamente seu programa nuclear em troca do alívio das sanções.

O acordo foi firmado em 2015 e representou um sucesso para o governo do então presidente dos Estados Unidos, Brack Obama.

Trump abandonou o acordo - que qualificou de "desastre" - em maio e rapidamente retomou as sanções contra o Irã.

Apesar dos protestos da União Europeia, várias empresas - incluindo Total, Peugeot, Renault, Siemens e Daimler- suspenderam suas operações no Irã temendo as sanções americanas.

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