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Internacional

China e Rússia rejeitam pressão dos EUA e defendem multilateralismo

28/09/2018 20h33

Nações Unidas, Estados Unidos, 28 Set 2018 (AFP) - Os chanceleres de China e Rússia, Wang Yi e Serguei Lavrov, adotaram uma linha dura na disputa comercial com os Estados Unidos ao afirmarem, na Assembleia Geral da ONU, que seus países não cederão à chantagem ou a pressões.

Dias depois de o presidente americano, Donald Trump, ter aplicado novas tarifas sobre 200 bilhões de dólares em produtos chineses, Wang garantiu que Pequim vai resistir.

"A China não será chantageada, nem cederá diante da pressão", afirmou Wang na ONU.

O ministro chinês também se referiu a Pequim como uma "defensora do multilateralismo", em um momento em que os Estados Unidos são criticados por sua abordagem unilateral de assuntos mundiais.

"A China sempre defendeu a ordem internacional e buscou o multilateralismo", disse Wang na ONU, elogiando seu "respeito" pelas decisões decorrentes das negociações.

Ele disse que "nenhum país pode sustentar sozinho" os principais desafios que o mundo enfrenta hoje, "ou ficar imune a seus efeitos".

O ministro das Relações Exteriores chinês defendeu novamente o acordo nuclear iraniano de 2015, do qual os Estados Unidos se retiraram em maio.

Em relação à Coreia do Norte, Wang encorajou a aproximação de Washington e Pyongyang, enquanto defendeu que a ONU "crie condições mais favoráveis" para a desnuclearização.

Na mesma direção, Lavrov aproveitou seu discurso na Assembleia para condenar os países que recorrem à "chantagem política, à pressão econômica e à força bruta" para impedir o surgimento de potências adversárias.

Como Wang, o chanceler russo não citou Trump diretamente, mas não há dúvidas sobre a quem se referia quando denunciou "poderes" que promovem "enfoques unilaterais egoístas".

Estes poderes não duvidam em utilizar qualquer método, incluindo a chantagem política, a pressão econômica e a força bruta", declarou Lavrov, lamentando ainda "os ataques" ao processo de paz no Oriente Médio, ao acordo nuclear com o Irã, aos acordos comerciais na Organização Mundial do Comércio e ao pacto climático de Paris.

"Estamos observando um avanço do revisionismo beligerante contra o sistema moderno do direito internacional".

As relações com a Alemanha, um aliado-chave dos Estados Unidos e firmante do acordo com o Irã, também foram tensas nos últimos meses.

Em seu discurso na ONU, o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, questionou a política protecionista de Trump de "Estados Unidos Primeiro".

As Nações Unidas "progridem com nossa promessa comum de 'juntos primeiro'", disse Maas, cujo partido de centro esquerda é um integrante menor da coalizão da chanceler Angela Merkel.

- Erro estratégico -Mais cedo, em declarações a um influente grupo de especialistas em Nova York, Wang tinha adotado um tom mais conciliatório e afastado temores de que a China busque destronar os Estados Unidos como maior potência mundial.

Referindo-se ao recente trabalho de pesquisadores americanos que afirmam que a China está intensificando seus esforços para alcançar uma posição hegemônica no mundo, Wang disse: "Quero dizer muito claramente que este é um erro de cálculo estratégico grave".

"É uma presunção errada que será extremamente prejudicial aos interesses americanos e ao futuro dos Estados Unidos", disse o ministro chinês ao Council on Foreign Relations, um think tank de Nova York.

Nos últimos anos, a China aumentou significativamente seu domínio no mundo, especialmente na América Latina e na África.

Wang lamentou que essa suspeita sobre a ambição hegemônica da China tenha sido ampliada e estendida, alertando que poderia "levar a novas suspeitas e dificultar a abordagem de questões específicas".

As relações entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, deterioraram-se rapidamente após uma boa conexão inicial.

Com sua característica franqueza, Trump disse na quarta-feira (26) que não pode mais considerar Xi um amigo, acusando Pequim de interferir na política americana e de buscar sua derrota nas eleições de meio de mandato em novembro por causa de sua posição dura no comércio.

Wang negou categoricamente que a China esteja roubando tecnologia de empresas norte-americanas, uma alegação que provocou as medidas comerciais contra o gigante asiático. "Isso simplesmente não é verdade. Esperamos que essas falsas acusações parem", disse ele.

O governo americano diz que a China tira proveito da tecnologia de forma mais indireta, exigindo que empresas estrangeiras se aliem a empresas locais para entrar no mercado mais populoso do mundo.

Wang insistiu em que o processo de aliança de negócios era "aberto e transparente".

Autoridades americanas dizem que a China é o maior mercado do mundo e que os sócios se apropriam dos conhecimentos técnicos.

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