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Kavanaugh dá passo em direção à polêmica confirmação na Suprema Corte

28/09/2018 19h19

Washington, 28 Set 2018 (AFP) - Com o apoio de Donald Trump, Brett Kavanaugh superou nesta sexta-feira (28) uma etapa-chave em sua polêmica indicação à Suprema Corte, que será alvo de uma votação final no Senado, embora o presidente já tenha ordenado uma investigação suplementar do FBI devido às alegações de assédio sexual.

"Ordenei que o FBI conduzisse uma investigação suplementar para atualizar o arquivo do juiz Kavanaugh. Como o Senado solicitou, esta atualização deve ter alcance limitado e ser concluída em menos de uma semana", disse Trump em um comunicado.

Kavanaugh recebeu o aval do Comitê Judicial do Senado, cujos 21 membros votaram estritamente de acordo com a sua filiação política - os 11 republicanos a favor e os 10 democratas contra -, para recomendá-lo à votação no plenário da Câmara alta do Congresso.

O republicano Jeff Flake, que pode ser a chave de sua confirmação, exigiu que o FBI investigue os feitos dos quais o juiz é acusado por Christine Blasey Ford, cujo depoimento na quinta-feira diante dos mesmos senadores eleitos comoveu grande parte da população, embora outros tenham ficado do lado de Kavanaugh, em um país profundamente polarizado.

"Este país está sendo destruído", afirmou Flake, um republicano moderado e crítico de Trump. "E temos que nos assegurar de que sigamos o devido processo aqui", continuou.

Agora corresponde ao líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell, decidir o cronograma.

Os republicanos têm uma apertada maioria no Senado, de 51 cadeiras, em comparação com 49 dos democratas, e só podem ter uma baixa.

A votação do Comitê foi realizada em meio a um clima de forte tensão política. Furiosos, vários democratas deixaram a sala antes do voto, como sinal de protesto.

O Senado tem a palavra final sobre as indicações presidenciais à Suprema Corte, que decide sobre os temas sociais mais complexos, como o direito ao aborto, o casamento homossexual e a regulação das armas de fogo.

- Alguns senadores-chave -Há um grande suspense pelo voto de alguns senadores, que poderiam impulsionar a confirmação de Brett Kavanaugh.

Entre eles está Flake, que havia anunciado nesta sexta-feira de manhã que votaria "sim", antes de ser atacado nos corredores do Senado por mulheres indignadas.

"Você está me dizendo que a minha agressão não conta, que o que aconteceu comigo não conta e que você está deixando que as pessoas que fazem essas coisas cheguem ao poder", disse uma delas, enquanto dezenas de manifestantes também se reuniram na Suprema Corte.

Visivelmente afetado, e após as reuniões com seus companheiros democratas e republicanos, finalmente pediu que o voto final seja atrasado até que realizem a investigação sobre as acusações contra o juiz.

- Trump decidido -A solicitação foi rapidamente aplaudida por outra republicana cujo voto ainda não foi decidido, Lisa Murkowski, e um dos democratas que poderia votar a favor do juiz Kavanaugh, Joe Manchin.

Ainda restam dúvidas sobre sua decisão final, assim como a de outra republicana, Susan Collins, que defende o direito ao aborto.

Pelo lado dos democratas, Joe Donnelly, um senador eleito em áreas de Indiana a favor de Trump, e que terá dificuldades para ser reeleito, anunciou nesta sexta que vai votar contra Brett Kavanaugh.

Enfrentando uma equação similar, Joe Manchin e outra democrata, Heidi Heitkamp, ainda reservam sua decisão. Todos votaram pelo candidato anterior de Trump à Suprema Corte, Neil Gorsuch.

A pouco mais de um mês das cruciais eleições parlamentares, essas autoridades eleitas estão preocupadas com uma posição potencialmente custosa em termos eleitorais, em um momento de maior consciência sobre a violência contra as mulheres.

Os líderes republicanos, por sua vez, parecem determinados em todos os momentos a ver Kavanaugh sentado na Suprema Corte. O presidente americano, que mais uma vez assegurou o seu apoio ao juiz nesta sexta-feira, declarou que não pensou "absolutamente" em encontrar um substituto para ele.

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