Israel adia demolição de vilarejo beduíno na Cisjordânia

Jerusalém, 21 Out 2018 (AFP) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, suspendeu até novo aviso o projeto de demolição de um vilarejo beduíno na Cisjordânia ocupada, considerado por seus defensores um símbolo da luta contra a colonização de Israel.

A decisão foi anunciada no momento em que as forças de segurança israelenses se preparavam para expulsar os 200 habitantes de Khan al Ahmar e destruir esta localidade situada nas proximidades de Jerusalém, entre duas colônias judaicas.

A suspensão provocou irritação entre os aliados do primeiro-ministro na coalizão de governo e ceticismo entre os habitantes, que duvidam de uma solução negociada para o caso.

"O objetivo é dar uma oportunidade às negociações e ofertas que recebemos das diferentes partes, inclusive nos últimos dias", afirma um comunicado divulgado pelo governo.

Poucas horas antes do anúncio, Netanyahu tentou minimizar a importância da decisão, ao afirmar que a localidade será destruída de todas as formas.

"É nossa política e será implementada (...) Não tenho a intenção de adiá-la indefinidamente, mas por um período curto e limitado", declarou antes de um encontro em Jerusalém com o secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin.

O prazo será determinado pelo gabinete de segurança.

As autoridades de Israel acusam os beduínos de Khan al Ahmar de ocupação ilegal. Eles tinham prazo até 1 de outubro para abandonar o local, mas se negaram a cumprir a ordem, o que levou as forças de segurança a preparar uma operação de destruição do vilarejo.

O destino de Khan al Ahmar preocupa a comunidade internacional, incluindo oito países membros da União Europeia, que em setembro pediram às autoridades israelenses que mudassem a decisão.

As autoridades determinaram a evacuação do vilarejo depois de anos de uma batalha jurídica que chegou à Suprema Corte e após o fracasso das negociações sobre uma possível transferência de seus habitantes.

A Suprema Corte israelense deu aval no início de setembro para a destruição do vilarejo, mas desde então foram organizadas iniciativas informais para tentar encontrar um compromisso, segundo um dos advogados da comunidade beduína.

Os moradores da localidade repetem que pretendem ficar no vilarejo.

Na quarta-feira, o procurador do Tribunal Penal Internacional alertou Israel que "uma retirada à força força" poderia ser considerada um crime de guerra.

Israel ocupa a Cisjordânia há meio século. Várias comunidades de beduínos se instalaram ao leste de Jerusalém, em uma área onde, de acordo com ONGs de defesa dos direitos humanos, os israelenses têm a intenção de ampliar a colonização.

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