PUBLICIDADE
Topo

Trump denuncia Justiça politizada e enfrenta presidente do Supremo

21/11/2018 21h48

Washington, 21 Nov 2018 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, denunciou nesta quarta-feira (21) a existência de "juízes pró-Obama", dando início a uma forte polêmica com o presidente da Suprema Corte, John Roberts, que pouco antes havia destacado a imparcialidade dos juízes americanos.

"Lamento, senhor presidente John Roberts, mas efetivamente existem os 'juízes pró-Obama'", tuitou o presidente, acusando os magistrados de tomarem decisões "surpreendentes" contra sua política anti-imigratória.

O presidente do Supremo é, contudo, de tendência conservadora e foi nomeado por outro republicano, George W. Bush.

O presidente acusou particularmente a nona jurisdição federal dos tribunais de apelação, que inclui a Califórnia, por tomar decisões "perigosas e insensatas" sobre questões migratórias.

Um magistrado californiano suspendeu na terça-feira um decreto presidencial que ordenava a rejeição automática de qualquer pedido de refúgio de imigrante que tivesse entrado ilegalmente no território nacional.

"É uma vergonha", reagiu Trump. "É um juiz pró-Obama e não voltará a acontecer", alertou, denunciando um tribunal que, segundo ele, tende a decidir em favor de seus opositores políticos.

"Não temos juízes pró-Obama, ou Trump, ou Bush, ou Clinton", respondeu John Roberts em comunicado à agência de notícias Associated Press.

"Temos um extraordinário grupo de juízes dedicados que fazem tudo o que podem para julgar de maneira equitativa aqueles que comparecem diante deles", explicou o presidente da Suprema Corte.

"Todos deveriam mostrar seu reconhecimento por poder ter acesso a uma justiça independente", assinalou Roberts, que preside um Supremo integrado por cinco juízes conservadores e quatro progressistas.

Uma polêmica pública entre o chefe do Executivo e magistrado de mais alto nível do sistema judiciário federal é um caso extremamente raro nos Estados Unidos, ainda mais na véspera do Dia de Ação de Graças, considerado um momento de reflexão e busca de consenso.

O juiz federal de San Francisco Jon Tigar decidiu na segunda-feira passada que o decreto firmado por Trump em 9 de novembro violava a lei de direito de pedido de asilo, "aplicada a qualquer estrangeiro que chegue aos Estados Unidos, independentemente de seu status".

O Supremo deve se pronunciar sobre a questão no dia 19 de dezembro.

O decreto de Trump pretende desalentar os milhares de migrantes da América Central que chegam em massa à fronteira do México com os Estados Unidos, um movimento qualificado de "invasão" por Trump.