Espanha espera compromisso 'escrito' de Londres sobre Gibraltar antes de cúpula
Bruxelas, 23 Nov 2018 (AFP) - A Espanha, que ameaça vetar o acordo de separação com o Reino Unido, pede "um compromisso escrito" de Londres sobre seu papel na futura relação entre a União Europeia (UE) e Gibraltar antes da cúpula de mandatários do domingo para aprová-lo.
"O texto que os britânicos propuseram fazer compartilhando a interpretação dos 27 (...) exigimos que seja publicado por parte das autoridades britânicas antes do Conselho Europeu de domingo", disse em Bruxelas o secretário de Estado espanhol para a UE, Luis Marco Aguiriano.
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, advertiu nesta sexta-feira em Havana que a cúpula da União Europeia de domingo "muito provavelmente" não será celebrada se o seu país não chegar a um acordo sobre o enclave britânico.
"As garantias ainda não são suficientes e por isso a Espanha mantém o veto ao Brexit", disse Sánchez em entrevista coletiva, ressaltando que se "não houver acordo, o que vai acontecer é que o Conselho Europeu muito provavelemnte é que o Conselho Europeu não se reúna".
Este pequeno território britânico desde 1713, cuja soberania a Espanha tradicionalmente reivindica, tornou-se o último entrave da negociação, segundo várias fontes diplomáticas, que destacam, contudo, já ver "a luz no fim do túnel".
Madri quer blindar nos textos negociados entre Londres e Bruxelas a princípio, aceito por seus sócios em abril de 2017, de que, após o Brexit "nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido poderá se aplicar ao território de Gibraltar sem o acordo" da Espanha.
A publicação, na semana passada, do acordo de divórcio, negociado entre Londres e a Comissão Europeia, fez soar os alarmes em Madri porque, em sua opinião, o documento não garantia este princípio e, desde então, reclama uma solução, ameaçando não apoiá-lo na cúpula prevista no domingo para este fim.
A ofensiva espanhola chegou ao mais alto nível. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, reiterou nesta quinta-feira que seu governo "sempre defenderá os interesses da Espanha" e que "não houver mudanças, vetar[á] o Brexit". Às 19H00 GMT (17H00 de Brasíia), deve falar com a imprensa em Cuba, ao fim de uma viagem oficial.
- Carta na manga -Fora esta questão, as posições parecem se aproximar. "Não estamos planejando reabrir o acordo de divórcio, mas trabalharemos com o governo de Gibraltar e da Espanha em nosso futuro relacionamento", disse uma porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, nesta sexta-feira.
Mas não é suficiente. Fontes do governo espanhol informaram que, "após a reunião desta manhã em Bruxelas", consideram que ainda não há "garantias suficientes" e atacaram o governo anterior do conservador Mariano Rajoy por "não ser suficientemente ambicioso na negociação".
A Espanha tem outra carta na manga para reforçar sua demanda. O futuro acordo comercial e político entre a UE e o Reino Unido, que será negociado a partir de 29 de março, exige a ratificação de todos os parlamentos nacionais para sua implementação, lembra Jean-Claude Piris.
"Todos os acordos internacionais com países terceiros serão submetidos às ratificações de todos os parlamentos nacionais", advertiu o secretário de Estado espanhol, para quem Madri tenta evitar com sua ofensiva atual "atingir exatamente esse nível".
No Parlamento britânico, onde o partido de May não tem maioria, a primeira-ministra enfrenta o mal-estar do setor eurocético de sua formação, a oposição de seus aliados unionistas e até a oposição trabalhista.
Horas antes da cúpula, Theresa May viajará a Bruxelas na noite de sábado para uma reunião com o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para "ajustar as mensagens políticas que serão dadas publicamente no domingo", segundo um diplomata.
bur-tjc/pb/ll
"O texto que os britânicos propuseram fazer compartilhando a interpretação dos 27 (...) exigimos que seja publicado por parte das autoridades britânicas antes do Conselho Europeu de domingo", disse em Bruxelas o secretário de Estado espanhol para a UE, Luis Marco Aguiriano.
O chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, advertiu nesta sexta-feira em Havana que a cúpula da União Europeia de domingo "muito provavelmente" não será celebrada se o seu país não chegar a um acordo sobre o enclave britânico.
"As garantias ainda não são suficientes e por isso a Espanha mantém o veto ao Brexit", disse Sánchez em entrevista coletiva, ressaltando que se "não houver acordo, o que vai acontecer é que o Conselho Europeu muito provavelemnte é que o Conselho Europeu não se reúna".
Este pequeno território britânico desde 1713, cuja soberania a Espanha tradicionalmente reivindica, tornou-se o último entrave da negociação, segundo várias fontes diplomáticas, que destacam, contudo, já ver "a luz no fim do túnel".
Madri quer blindar nos textos negociados entre Londres e Bruxelas a princípio, aceito por seus sócios em abril de 2017, de que, após o Brexit "nenhum acordo entre a UE e o Reino Unido poderá se aplicar ao território de Gibraltar sem o acordo" da Espanha.
A publicação, na semana passada, do acordo de divórcio, negociado entre Londres e a Comissão Europeia, fez soar os alarmes em Madri porque, em sua opinião, o documento não garantia este princípio e, desde então, reclama uma solução, ameaçando não apoiá-lo na cúpula prevista no domingo para este fim.
A ofensiva espanhola chegou ao mais alto nível. O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, reiterou nesta quinta-feira que seu governo "sempre defenderá os interesses da Espanha" e que "não houver mudanças, vetar[á] o Brexit". Às 19H00 GMT (17H00 de Brasíia), deve falar com a imprensa em Cuba, ao fim de uma viagem oficial.
- Carta na manga -Fora esta questão, as posições parecem se aproximar. "Não estamos planejando reabrir o acordo de divórcio, mas trabalharemos com o governo de Gibraltar e da Espanha em nosso futuro relacionamento", disse uma porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, nesta sexta-feira.
Mas não é suficiente. Fontes do governo espanhol informaram que, "após a reunião desta manhã em Bruxelas", consideram que ainda não há "garantias suficientes" e atacaram o governo anterior do conservador Mariano Rajoy por "não ser suficientemente ambicioso na negociação".
A Espanha tem outra carta na manga para reforçar sua demanda. O futuro acordo comercial e político entre a UE e o Reino Unido, que será negociado a partir de 29 de março, exige a ratificação de todos os parlamentos nacionais para sua implementação, lembra Jean-Claude Piris.
"Todos os acordos internacionais com países terceiros serão submetidos às ratificações de todos os parlamentos nacionais", advertiu o secretário de Estado espanhol, para quem Madri tenta evitar com sua ofensiva atual "atingir exatamente esse nível".
No Parlamento britânico, onde o partido de May não tem maioria, a primeira-ministra enfrenta o mal-estar do setor eurocético de sua formação, a oposição de seus aliados unionistas e até a oposição trabalhista.
Horas antes da cúpula, Theresa May viajará a Bruxelas na noite de sábado para uma reunião com o chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, para "ajustar as mensagens políticas que serão dadas publicamente no domingo", segundo um diplomata.
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