PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Turquia diz que Trump tenta fazer "vista grossa" ao assassinato de jornalista

23/11/2018 14h53

Ancara, 23 Nov 2018 (AFP) - O governo da Turquia afirmou nesta sexta-feira (23) que as declarações de Donald Trump sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi indicam que o presidente dos Estados Unidos tem a intenção de fazer "vista grossa" para o caso.

"Em certo sentido, Trump está dizendo 'farei vista grossa' para o assassinato do jornalista saudita", afirmou o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu, em uma entrevista ao canal CNN-Türk.

Jamal Khashoggi, um jornalista crítico ao regime de Riad, foi assassinado em 2 de outubro no consulado de seu país em Istambul.

Este homicídio gerou comoção mundial e arranhou a imagem do reino saudita, especialmente a de seu príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, acusado pela imprensa e por autoridades turcas anônimas de ter ordenado matar Khashoggi.

Segundo a imprensa americana, a CIA não tem dúvidas sobre a responsabilidade de Mohamed bin Salman na morte do jornalista. Na terça, Trump garantiu, porém, que a agência não havia "encontrado nada absolutamente certo".

O presidente Donald Trump disse nesta terça-feira que os Estados Unidos priorizam sua boa relação com a Arábia Saudita, embora Bin Salman possa estar ligado ao brutal assassinato de Khashoggi.

"Bem poderia ser que o príncipe herdeiro tivesse conhecimento deste trágico evento, talvez tenha, talvez não!", afirmou Trump em um comunicado.

"Talvez nunca saibamos todos os fatos relacionados com o assassinato do senhor Jamal Khashoggi. De qualquer modo, nossa relação é com o Reino do Arábia Saudita", país com o qual "os Estados Unidos têm intenção de continuar sendo um sócio firme", disse Trump.

"Não é apenas o dinheiro que conta", afirmou Cavusoglu nesta sexta, referindo-se aos argumentos de Trump sobre a compra de armas americanas pela Arábia, ou a estabilidade do preço do petróleo para justificar seu apoio a Riad.

"Não é uma boa abordagem", insistiu o ministro turco em entrevista à rede CNN-Türk, lembrando que ainda há "perguntas sem resposta".

"Para nós, a Arábia Saudita é um país importante, mas estamos agora falando de um atroz assassinato premeditado", acrescentou o ministro turco.

Cavusoglu disse que o presidente turco, Recep Tayip Erdogan, e o príncipe herdeiro saudita poderão se reunir no G20, que deve acontecer na Argentina no próximo fim de semana, para tentar esclarecer o assunto.

- 'Nenhum obstáculo' -Depois de inicialmente negar o desaparecimento de Khashoggi, Riad acabou reconhecendo, sob pressão internacional, que o jornalista havia sido assassinado durante uma operação "não autorizada".

Sempre isentando o príncipe herdeiro, a Justiça saudita anunciou, na semana passada, que solicitaria a pena de morte contra cinco dos 21 suspeitos detidos no âmbito da investigação oficial.

Embora o presidente turco, Recep Tayip Erdogan, nunca tenha culpado abertamente o príncipe herdeiro e isente o rei Salman, ele afirma que a ordem de matar o jornalista teve origem "nos mais altos níveis".

A Turquia está aberta, porém, a uma possível reunião entre Erdogan e Mohamed bin Salman à margem da cúpula do G20 da próxima semana na Argentina, segundo Cavusoglu, que não vê "nenhum obstáculo" para isso.

Os dois dirigentes já conversaram por telefone sobre este tema, mas seria seu primeiro encontro cara a cara após a morte de Khashoggi.

O príncipe Salman "disse que deseja se encontrar com nosso presidente na Argentina. E não há nenhuma razão para que não façam isso", acrescentou Cavusoglu.

Internacional