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Internacional

Rússia responde com bombardeios a ataque com gás tóxico na Síria

25/11/2018 17h28

Damasco, 25 Nov 2018 (AFP) - O regime sírio acusou grupos terroristas de terem realizado um ataque químico na cidade de Aleppo, um drama que provocou 100 casos de problemas respiratórios e motivou neste domingo ataques de represália da aviação russa.

Uma coalizão rebelde negou envolvimento no ataque contra Aleppo, grande cidade do norte da Síria controlada pelo governo. Autoridades sírias e a Rússia citam o possível uso de gás de cloro.

Em um país destruído desde 2011 por uma guerra que já causou mais de 360 mil mortes, os rebeldes, assim como o regime de Bashar al-Assad, foram acusados em várias ocasiões de terem usado armas químicas, proibidas pelo direito internacional.

Neste sábado, autoridades sírias acusaram "grupos terroristas", como o regime chama os jihadistas e os rebeldes, de terem atacado Aleppo.

Um fotógrafo da AFP naquela cidade presenciou a chegada ao hospital de dezenas de civis com dificuldade para respirar, entre eles mulheres e crianças.

Citando "fontes médicas", a agência oficial Sana informou que, durante a noite deste sábado, foram registrados "107 casos de asfixia". A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) citou "94 casos de problemas respiratórios".

O chefe da polícia de Aleppo, Esam al-Shili, citado pela Sana, acusou grupos terroristas de terem usado "foguetes contendo gases tóxicos". Em Moscou, o Ministério da Defesa russo falou em "explosivos que supostamente continham cloro".

Em represália, "a Força Aérea russa realizou ataques aéreos contra posições de terroristas", segundo o Ministério da Defesa russo. "Todos os alvos foram destruídos."

- 'Denúncias falsas' -

Os bombardeios russos, os primeiros em mais de dois meses, visaram territórios controlados pelos jihadistas e os rebeldes perto da cidade de Aleppo, segundo o OSDH. Eles acontecem depois que a Rússia (que apoia o regime) e a Turquia (tradicional aliada dos rebeldes) fecharam, em setembro, um acordo para instaurar a trégua e criar uma zona desmilitarizada que separe os territórios rebeldes das regiões governamentais nas províncias vizinhas de Aleppo e Idlib.

O ministro turco da Defesa e o colega russo tiveram hoje uma conversa telefônica "mencionando as mais recentes provocações que pretendem prejudicar o acordo", indicou Ancara em um comunicado, sem citar detalhes.

Desde o fim de 2016, Aleppo está sob controle total do regime do presidente Bashar al-Assad, mas algumas áreas nas proximidades são controladas por grupos rebeldes e jihadistas. A província de Idlib, por sua vez, é o último grande reduto jihadista e rebelde na Síria.

A Frente de Libertação Nacional, principal grupo rebelde destas duas províncias, negou envolvimento no suposto ataque com gás tóxico. "Desmentimos as denúncias falsas do regime sobre um ataque contra Aleppo que teria sido executado pelos revolucionários com a ajuda de projéteis com gás de cloro", afirmou em um comunicado o porta-voz da coalizão rebelde, Naji Moustapha. Segundo ele, "apenas o regime criminoso e seu grupo possuem estas armas e as utilizam na Síria".

- 'Pretexto' -

Ao longo do conflito, Damasco foi acusada pela ONU e pelas potências ocidentais de usar armas químicas, o que sempre negou.

Sobre o incidente de ontem em Aleppo, o principal negociador da oposição síria no exílio, Nasr al-Hariri, acusou o governo de responsabilizar os rebeldes para "ter um pretexto para lançar uma operação militar no norte da Síria".

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