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Ex-embaixadora francesa Zourabichvili lidera presidenciais na Geórgia

28/11/2018 21h52

Tbilisi, 28 Nov 2018 (AFP) - A ex-embaixadora francesa Salomé Zourabichvili, que conta com o apoio do partido no governo "Sonho Georgiano", liderava amplamente, nesta quarta-feira (28), o segundo turno das presidenciais na Geórgia, segundo os resultados parciais da Comissão Eleitoral.

A franco-georgiana Salomé Zourabichvili somava 59,61% dos votos, contra os 40,39% para o candidato da oposição, Grigol Vashadze, com 98,41% das seções apuradas, indicou a Comissão.

A participação foi de 56,23% no fechamento dos colégios eleitorais, às 20h00 locais (14h00 de Brasília).

Esta é a última eleição presidencial por voto direto nesta ex-república soviética do Cáucaso, que adotou um regime parlamentar.

Embora o cargo de presidente seja agora, após as mudanças constitucionais, essencialmente simbólico, o voto é um teste para o partido no poder.

A eleição prefigura o futuro duelo entre o "Sonho Georgiano", no poder desde 2012, e a oposição "Movimento Nacional Unido", criado pelo ex-presidente exilado Mikheil Saakashvili - visando as legislativas de 2020.

Zourabichvili, ex-diplomata francesa de 66 anos, obteve no primeiro turno 38,64% dos votos contra 37,73%, do opositor Vashadze, de 60 anos e apoiado pelo "Movimento Nacional Unido" e outras 10 formações políticas.

"É muito importante que os dirigentes criminosos, que instauraram a anarquia e roubaram do tesouro (público), não cheguem ao poder. Gostaria que as forças na liderança pensassem nas pessoas", declarou à AFP Guiorgui Djolokhava, um pedreiro de 62 anos.

No sentido contrário, Bondo Iamanidze, uma aposentada de 69 anos, apoia o "Sonho Georgiano" e votará em Zourabichvili, já que é "uma diplomata experiente", e Ivanishvili, "um grande filantropo".

- Partido no governo é questionado -Uma vitória de Grigol Vashadze marcaria uma mudança na paisagem política da Geórgia e daria fim à dominação do "Sonho Georgiano", no poder desde 2012.

É por esta razão que o ex-primeiro-ministro e bilionário Bidzina Ivanichvili, oficialmente aposentado da política em 2013, saiu do silêncio após o resultado de Zourabichvili. "Sei que vocês não estão satisfeitos porque suas vidas não melhoraram", declarou na televisão.

Ivanishvili, o homem mais rico do país, continua sendo considerado o verdadeiro dirigente.

Diplomata de carreira e chanceler durante o governo de Saakashvili (2008-2012), Vashadze criticou "o regime oligárquico" instaurado pelo ex-primeiro-ministro Bidzina Ivanishvili, do "Sonho Georgiano", quando o governo não consegue reduzir a pobreza.

O resultado das eleições determinará "o progresso ou retrocesso da jovem democracia georgiana", explicou à AFP o analista Géa Vassadzé.

Tanto Zourabichvili como Vashadze têm um perfil parecido, ao serem partidários de uma aproximação com UE e Otan.

Entretanto, "sua passagem pelo Ministério de Assuntos Exteriores mostra que Vashadze é mais próximo dos Estados Unidos, enquanto a ex-embaixadora francesa Zourabichvili tem maior afinidade com a UE", explica Vassadzé.

Em relação a Moscou, os dois candidatos diferem sensivelmente. "'Sonho Georgiano' adota um tom mais moderado em suas relações com Moscou, enquanto o MNU é tradicionalmente mais crítico", explicou a analista Gia Nodia.

- Acusações de fraude -A oposição acusou o governo de intimidar os eleitores e afirmou que militantes do "Sonho Georgiano" haviam agredido membros do partido de Vashadze.

Zourabichvili afirmou que ela e seus filhos foram ameaçados de morte. Vários deputados do "Sonho Georgiano" mencionaram, inclusive, a possibilidade de uma "guerra civil" se Vashadze vencer a eleição.

Três ONGs georgianas, incluindo a filial local da Transparência Internacional, afirmaram na semana passada que tinham provas de que o governo imprimiu documentos de identidade falsos para fraudar o segundo turno.

Após as acusações, a Procuradoria Geral anunciou a abertura de uma investigação.

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