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EUA, México e Canadá assinam em Buenos Aires novo acordo comercial

30/11/2018 15h35

Buenos Aires, 30 Nov 2018 (AFP) - Estados Unidos, México e Canadá assinaram um novo acordo de livre-comércio nesta sexta-feira (30) em Buenos Aires, uma vitória do presidente Donald Trump que acabou com o Nafta, o tratado anterior em vigor desde 1994.

A assinatura, feita à margem da reunião de cúpula dos líderes do G20 na capital argentina, supõe a conclusão de mais de um ano de muitas tensões entre os três sócios comerciais da América do Norte, depois que Trump denunciou o Nafta como "um desastre" para o seu país.

Desde a campanha presidencial que o levou à Casa Branca, Trump critica um acordo ao qual atribui a deslocalização de milhares de postos de trabalho dos Estados Unidos para países com mão de obra mais barata em detrimento dos trabalhadores americanos.

Após a assinatura do agora chamado Acordo Estados Unidos-México-Canadá (T-MEC), que deverá ser aprovado pelos Congressos dos três países onde entrará em vigor, o presidente americano não poupou elogios ao novo pacto.

"Este é um modelo de acordo que modifica para sempre o panorama do comércio", expressou durante a cerimônia em Buenos Aires, junto com o presidente mexicano em fim de mandato, Enrique Peña Nieto, e o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau.

Trata-se do "acordo mais moderno, significativo e equilibrado da História", exclamou Trump, exultante. "É provavelmente o maior acordo comercial já assinado", acrescentou, eufórico, depois de cumprir uma de suas principais promessas eleitorais.

"Nos Estados Unidos, o novo acordo comercial impulsionará trabalhos qualificados no setor manufatureiro e promoverá mais acesso para as vendas americanas" aos mercados parceiros, argumentou.

Para Trump, trata-se de uma vitória política importante, depois de perder o controle da Câmara baixa nas eleições de meio de mandato para a oposição democrata, diante da qual terá que defender o novo tratado.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, qualificou o acordo de "histórico", mas de forma menos efusiva, e argumentou que a ausência de um pacto era uma ameaça que representava uma "séria incerteza econômica, que teria causado grandes danos" à economia dos três países.

Ao mesmo tempo, pediu expressamente a Trump para trabalhar a fim de eliminar tarifas ao aço e alumínio no comércio bilateral.

Em efeito, o novo acordo não contempla as tarifas ao aço e alumínio impostas pelos Estados Unidos a nível mundial no início do ano, e ao México e Canadá desde maio.

Peña Nieto, que deixará a presidência mexicana no sábado, classificou o acordo de "inovador" e disse que reafirma a integração comercial na América do Norte.

- Um acordo pró-Estados Unidos -O T-MEC terminou de negociar in extremis em 30 de setembro.

O objetivo central de Trump era evitar e reverter a transferência de postos de trabalho dos Estados Unidos para países com mão de obra mais barata.

Com este acordo, 75% das partes de um automóvel vendido nos Estados Unidos devem ser fabricadas em território americano (um aumento de 62,5% em relação ao que o Nafta marcava), e 40% a 45% do veículo deve ser fabricado por trabalhadores que ganhem pelo menos 16 dólares por hora. É um aumento percentual significativo que repercutirá no mercado de trabalho dos Estados Unidos.

México e Canadá terão acesso preferencial ao gigantesco mercado automotivo de seu vizinho.

O Canadá aceitou abrir seu protegido setor de laticínios, e fazer mais compras de frango, peru e ovos dos Estados Unidos.

O novo acordo aumenta os padrões de proteção da propriedade intelectual, especialmente para os poderosos setores farmacêutico e agrícola. Também incorpora um capítulo dedicado ao comércio eletrônico, no qual proíbe os direitos alfandegários para produtos distribuídos digitalmente, como software e jogos, livros eletrônicos, músicas e filmes.

O acordo, pelo qual o México se compromete com uma legislação que garanta a negociação coletiva, rejeita a importação de produtos elaborados em regime de trabalho forçado. O pacto é válido por 16 anos e será revisado a cada seis anos.

As cicatrizes da ruptura do antigo pacto e a dura conquista do novo acordo se tornaram evidentes na cerimônia. Embora no nome oficial - USMCA - os Estados Unidos apareçam primeiro, o primeiro-ministro canadense insistiu em se referir ao texto como o "novo Acordo de Livre-Comércio da América do Norte".

O acordo não está isento de fortes críticas fora do comercial. O grupo ambientalista americano Sierra Club expressou que este Nafta "apressadamente assinado" promove "o legado contaminante" de Trump "por anos" depois de deixar o governo ao oferecer ajuda especial "para poluidores corporativos como (as petroleiras) Chevron e ExxonMobil".

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