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Trump e Xi: reunião-chave no G20 diante de 'problemas' do comércio mundial

01/12/2018 17h08

Buenos Aires, 1 dez 2018 (AFP) - Os presidentes americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jinping, se encontrarão pessoalmente neste sábado (1) em Buenos Aires à margem da cúpula do G20, marcada por graves divisões entre as maiores potências por "problemas" no comércio mundial e clima.

O comunicado final dos líderes das 20 principais economias do mundo, reunidas desde sexta-feira, faz alusão a "problemas no comércio", sem condenar nem mencionar o protecionismo, o tema mais delicado na "guerra comercial" entre Estados Unidos e China.

O texto reconheceu que o sistema comercial multilateral "falhou em seus objetivos" e destacou a necessidade de reformar a Organização Mundial do Comércio.

- O clima -Todos os chefes de Estado e de Governo do G20, embora com a exceção dos Estados Unidos, como era esperado, se comprometeram em alcançar os objetivos do Acordo de Paris para enfrentar o aquecimento global, segundo o comunicado final.

"Os signatários do Acordo de Paris, que também adotaram o Plano de Ação de Hamburgo, reafirmaram que o Acordo de Paris é irreversível e se comprometeram com sua implementação", assinala.

Contudo, os Estados Unidos deixaram assentada na declaração final assinada a sua decisão de sair do Acordo.

O presidente americano, que coloca em dúvida a mudança climática, retirou seu país dos acordos ambientais de Paris em junho de 2017, pouco depois de chegar à Casa Branca.

- Uma cúpula de diferenças -O ponto mais alto desta cúpula ocorre esta tarde, quando Trump e Xi se sentarão frente a frente. Mas é difícil que os dois líderes das maiores potências mundiais conciliem as suas diferenças.

Uma "guerra comercial" começou quando Trump impôs tarifas que chegaram a 300 bilhões de dólares de importações, dos quais 250 bilhões de dólares correspondiam a produtos chineses.

A próxima série de medidas está prevista para 1° de janeiro, quando as tarifas dos Estados Unidos sobre importações chinesas de 200 bilhões de dólares poderiam subir de 10% a 25% se não houver acordo.

Antes de deixar Washington, Trump disse ver "bons sinais" nas relações comerciais com a China, mas se mostrou reticente a um acordo. "Acho que estamos muito perto de fazer algo com a China, mas não sei se quero", expressou.

Em seu discurso ante os demais líderes, o presidente chinês enviou uma clara mensagem: os membros do G20 devem "se comprometer com a abertura e cooperação, e sustentar o sistema comercial multilateral".

"Em seis meses, o número de novas medidas restritivas ao comércio aplicadas pelos membros do G20 duplicou", advertiu, sustentando que é necessário multiplicar as consultas "para alcançar um progresso gradual ao invés de impor posturas aos demais".

Durante anos os Estados Unidos acusaram a China de manipular a sua moeda, o yuan, para tornar os seus produtos mais competitivos.

Com a chega de Trump à Casa Branca e suas medidas protecionistas, o governo americano passou à ação. Mas o déficit comercial com a China continua se aprofundando.

Em setembro, chegou a um nível recorde com a China. Do total de 54 bilhões de dólares no vermelho, 37,400 corresponderam aos intercâmbios com a China.

Ao longo do ano, o déficit comercial americano registrava um aumento de 10,1%, a 445,160 bilhões de dólares, segundo dados do Departamento de Comércio.

- Divisões -As divisões são cada vez mais visíveis entre estes líderes, com vários convidados incomodados.

Trump suspendeu uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, depois que forças russas pegaram a tripulação de três navios militares ucranianos em frente à costa da Crimeia.

Mas a reunião também foi suspensa em meio à polêmica nos Estados Unidos por novas revelações na investigação sobre uma suposta ingerência da Rússia na campanha presidencial americana de 2016. O presidente americano reiterou a sua inocência.

Sob os holofotes também está o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi. A Justiça argentina iniciou uma investigação, que dificilmente terá consequências, sobre este caso, em instâncias de organizações de direitos humanos.

O ambiente no segundo e último dia da cúpula é de reserva, muito diferente do clima que havia na primeira reunião do fórum, 10 anos atrás, em Washington. "O crescimento mundial é sólido, apesar de ter havido um leve retrocesso. O sol continua brilhando, mas nuvens negras estão chegando e alguns de nós já estamos sentindo as gotas caindo", disse à imprensa um funcionário europeu sob anonimato.

- Homenagem a Bush -A notícia da morte do ex-presidente americano George H. W. Bush, aos 94 anos, fez com que todos os líderes convergissem ao redor de sua figura.

Trump - que assegurou que irá comparecer aos funerais - elogiou a sua "liderança inquebrantável" durante o final da Guerra Fria. Também o fizeram o presidente francês, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra britânica, Theresa May.