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Andaluzia vota em eleições de alto risco para Pedro Sánchez

02/12/2018 15h48

Sevilha, Espanha, 2 dez 2018 (AFP) - Andaluzia vota neste domingo (2) em eleições regionais de alto risco para o governo socialista espanhol de Pedro Sánchez, que medirá suas forças com a oposição de direita antes de uma série de comícios previstos em 2019.

Desde o início da votação até às 20h00 (17h00 de Brasília), 6,5 milhões de habitantes eram chamados a votar na região mais povoada do país, governada pelo socialismo de maneira ininterrupta desde 1982. Os primeiros resultados oficiais serão revelados às 19h15 (de Brasília), pelo fechamento tardio de alguns colégios.

A eleição é a primeira encarada por Pedro Sánchez desde que chegou ao poder, em junho, à frente do governo mais minoritário em 40 anos de democracia na Espanha.

Com a presidente andaluza e candidata à reeleição, Susana Díaz, o Partido Socialista (PSOE) quer continuar dominando nesta grande região, mas também mostrar sua força antes das municipais, regionais e europeias de maio de 2019, assim como nas legislativas a nível nacional, aguardadas para o ano que vem.

As pesquisas preveem uma vitória sem maioria absoluta para Susana Díaz. E diante existe o que chama de "tridente da direita", composto pelos conservadores Partido Popular e Cidadãos, e pela formação de ultradireita Vox, que, pela primeira vez, pode estar em um Parlamento regional na Espanha.

"Estas eleições são fundamentais como um primeiro passo para tirar Pedro Sánchez de Moncloa", palácio do presidente do governo, avisou o líder nacional do PP, Pablo Casado, na sexta-feira, em uma entrevista à rádio COPE.

E se o socialismo sair do poder em Andaluzia, acrescentou Casado, "seria insustentável que o Partido Socialista continuasse governando com 84 cadeiras (das 350 na Câmara baixa) e sua autonomia mais importante nas mãos do PP".

Tanto o PP como o Cidadãos disseram durante a campanha andaluza que, em caso de maioria parlamentar de direita, não irão repelir o apoio do Vox em uma hipotética posse.

A formação de ultradireita, por sua vez, quer contribuir para acabar com os 36 anos de hegemonia socialista em Andaluzia.

"O Vox irá apoiar qualquer opção que suponha tirar da Junta de Andaluzia Susana Díaz e o Partido Socialista", prometeu no sábado Javier Ortega Smith, número dois do partido.

Susana Díaz pediu voto para o seu partido em nome da "estabilidade", e em seu comício de encerramento na sexta-feira, em Sevilha, novamente expressou seu desejo de que "esta terra seja a contenção de uma direita e extrema direita que querem voltar".

Neste domingo, a presidente teve um incidente com dois jovens representantes do Vox, que a repreenderam na seção onde foi votar. O partido de ultradireita anunciou, no entanto, que ambos foram retirados de suas funções "por comportamento inadequado".

A participação às 18h00 (15h00 de Brasília) era de 46,4%, cinco pontos a menos que na eleição anterior, em março de 2015, no mesmo horário, segundo o governo da Andaluzia.