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Polícia de Israel recomenda indiciamento de Netanyahu por corrupção

02/12/2018 19h50

Jerusalém, 2 dez 2018 (AFP) - A polícia israelense recomendou, neste domingo (2), o indiciamento do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e de sua mulher, Sarah, em um terceiro caso de corrupção, uma decisão que coloca em risco o chefe de governo e sua frágil coalizão.

Netanyahu é suspeito de ter favorecido o grupo de telecomunicações Bezeq, ao qual teria pago milhões de dólares em troca de uma cobertura noticiosa favorável no Walla, um site do grupo.

A Procuradoria-Geral decidirá agora se irá indiciá-lo por "suborno", "fraude" e "quebra de confiança". No caso de sua mulher, a polícia recomenda a acusação de "obstrução da Justiça".

O primeiro-ministro israelense voltou a alegar inocência, e atacou o chefe de polícia Roni Alsheikh, que deixou o cargo neste domingo.

"Como é possível que as recomendações da polícia se tornem públicas no mesmo dia em que o chefe de polícia deixa o cargo? Eu e minha mulher, Sara, somos vítimas de uma perseguição", afirmou Netanyahu em discurso na região de Tel-Aviv.

Antes, em comunicado, o premier havia rejeitado as conclusões da polícia. "Estou certo de que, neste caso, as autoridades competentes, depois de terem examinado a questão, chegarão à mesma conclusão: que não houve nada, porque não há nada", escreveu Netanyahu.

Entre 2012 e 2017, o primeiro-ministro e seu entorno "intervieram no conteúdo publicado pelo Walla e tentaram influenciar a nomeação de pessoas", explica a polícia em um comunicado.

Seu objetivo era a publicação de "artigos e fotos positivas e suprimir o conteúdo crítico contra o primeiro-ministro e sua família", aponta o comunicado, resumindo as conclusões da investigação.

Durante a reunião semanal deste domingo do governo, os ministros do Likud (direita), o partido de Netanyahu, expressaram seu apoio ao chefe de governo.

"Muito obrigado, mas vocês têm que levar este assunto mais a sério do que eu", respondeu ele.

Na oposição, o líder dos trabalhistas, Avi Gabbay, pediu a renúncia de Netanyahu.

Por sua vez, a líder do partido de esquerda Meretz, Tamar Zandberg, pediu no Twitter "organizar as eleições agora", porque, segundo ela, o primeiro-ministro é acusado do "crime mais grave da lei israelense".

O governo de Netanyahu tem uma maioria apertada de uma cadeira no Parlamento (61 deputados de um total de 120), na sequência da renúncia, em 14 de novembro, do ministro da Defesa, o nacionalista Avigdor Lieberman, e da posterior retirada da coalizão de seu partido Beitenu.

Ao mesmo tempo, Netanyahu está prestes a quebrar o recorde de primeiro-ministro por mais tempo no cargo, onde chegou em 2009, e continua popular contra uma oposição que parece não ter capacidade de derrotá-lo nas urnas.

As eleições estão previstas para novembro de 2019, mas podem ser realizadas com antecedência.

Em fevereiro, a polícia já havia recomendado o indiciamento do primeiro-ministro em dois outros casos.

No primeiro, suspeita-se que Netanyahu e membros de sua família tenham recebido até 285 mil dólares), bem como charutos, champanhe e joias de pessoas ricas em troca de favores financeiros ou pessoais.

No segundo caso, os investigadores acreditam que o primeiro-ministro tentou fechar um acordo com o proprietário do jornal "Yediot Aharonot", um dos mais importantes de Israel, para obter uma cobertura mais favorável à sua administração.

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