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Escassez de gasolina, estradas bloqueadas e protestos estudantis na França

03/12/2018 15h50

Paris, 3 dez 2018 (AFP) - As ações de protesto dos "coletes amarelos" contra a política fiscal e social do presidente Emmanuel Macron continuavam nesta segunda-feira (3) em toda a França, pela terceira semana consecutiva, com repercussões na fronteira franco-espanhola.

- Escassez de gasolina -Os bloqueios de vários depósitos de combustível em todo o país - da Normandia à região mediterrânea - causaram nesta segunda (3) os primeiros relatos de falta de gasolina.

Na Bretanha (oeste), vários postos ficaram sem combustível total ou parcialmente na manhã de segunda-feira, forçando as autoridades locais a tomar medidas de racionamento.

Os depósitos de petróleo de Le Mans (centro), Grand-Quevilly (noroeste) também foram bloqueados, assim como o do porto de Fos-sur-Mer (sudeste).

Este último bloqueio foi criticado inclusive dentro do movimento dos "coletes amarelos", que alguns lamentaram a "recuperação" do protesto por parte de "elementos radicalizados".

O fechamento dos depósitos de petróleo de Donges e La Rochelle, no oeste da França, se levantaram na segunda-feira de manhã após a intervenção da polícia.

- Estradas bloqueadas -O tráfego também foi interrompido em várias estradas francesas, onde os manifestantes instalaram barreiras para impedir a circulação.

Durante a noite de domingo, um grupo de uma dúzia de pessoas destruiu as barreiras de pedágio da rodovia A9 em Perpignan (Pireneus), de acordo com os gendarmes. A prefeitura denunciou atos de vandalismo, como cabines de pedágios destruídas.

"Estamos em um barril de pólvora (...) Há uma raiva que está crescendo, é ainda pior do que raiva, está tomando proporções enormes", disse Fabien Schlegel, um dos líderes dos "coletes amarelos" em Dole (leste).

Empresas de transporte rodoviário de carga estimaram na segunda-feira que sofreram prejuízos de 400 milhões de euros desde o início das manifestações, em 17 de novembro.

Os protestos também afetaram a fronteira com a Espanha, com retenções de até 19 km nesta segunda-feira e milhares de caminhões de transporte presos, segundo as autoridades regionais da Catalunha (nordeste).

A poucas semanas das férias de Natal, bloqueios de estradas e centros comerciais poderiam gerar mais de 13 bilhões de euros em prejuízos no setor de alimentos, de acordo com uma estimativa da Associação Nacional das Indústrias de Alimentação (Ania).

- Estudantes nas ruas -Mais de cem escolas secundárias também foram bloqueadas, parcial ou totalmente, em protesto contra as reformas educacionais empreendidas pelo governo e, em alguns casos, em apoio aos "coletes amarelos", segundo o Ministério da Educação.

A região de Toulouse (sudoeste) - com cerca de 40 estabelecimentos fechados - foi a mais afetada, seguida pela região parisiense, onde cerca de 20 escolas secundárias foram afetadas.

Um veículo foi queimado e uma loja de telefone foi saqueada perto de uma escola secundária em Aubervilliers, ao norte da capital.

Em Dijon (centro-leste), cerca de 500 estudantes marcharam pelas ruas da cidade e entraram em confronto com a polícia. Os estudantes atiraram pedras nos policiais que responderam com gás lacrimogêneo.

Em Nice, cerca de mil estudantes do ensino médio demonstraram apoio aos "coletes amarelos", gritando "Macron, renúncia!".

- Motoristas de ambulâncias -Pelo menos cem motoristas de ambulâncias bloquearam, na manhã de segunda-feira, a praça da Concorde, no centro de Paris.

Eles exigem o fim de uma reforma do financiamento dos transportes sanitários que, segundo eles, seria uma ameaça para as pequenas e médias empresas do setor.

- Tensão em La Reunion -A ilha francesa de La Reunion, no oceano Índico, foi palco de enfrentamos entre os "coletes amarelos" e a polícia nesta segunda.

Segundo autoridades rodoviárias regionais, dois ou três controles se mantinham na ilha, mas a situação era muito tensa no porto oriental - seu único porto comercial e pulmão econômico da ilha, bloqueado há 15 dias.

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