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Soyuz decola com sucesso rumo à ISS em primeiro voo tripulado após acidente

03/12/2018 15h36

Baikonur, Cazaquistão, 3 dez 2018 (AFP) - Três astronautas - uma americana, um canadense e um russo - decolaram nesta segunda-feira da base de Baikonur (Cazaquistão) rumo à Estação Espacial Internacional (ISS), a bordo de um foguete Soyuz, na primeira missão desde o lançamento fracassado de outubro passado.

Nove minutos depois do lançamento, "a cápsula Soyuz MS-11 se desprendeu com sucesso do terceiro estágio e continuou seu voo de forma autônoma em direção à Estação Espacial Internacional", anunciou a Roskosmos, a agência espacial russa, em um comunicado.

O russo Oleg Kononenko, a americana Anne McClain e o canadense David Saint-Jacques decolaram a bordo da Soyuz às 09h31 de Brasília para cumprir uma missão de seis meses e meio em órbita ao redor da Terra.

Os três astronautas devem chegar à ISS por volta das 15H30 de Brasília.

O lançamento desta segunda-feira era muito esperado, já que se trata do primeiro após a tentativa frustrada de 11 de outubro.

"A Expedição 58 está em órbita! Quero mostrar meu apreço ao Diretor-Geral [da Roskosmos] Dmitri Rogozin e todas as equipes da Nasa e da Roskosmos por seus esforços para fazer deste voo um sucesso", declarou no Twitter Jim Bridenstine, o administrador-geral da Nasa.

- "Confiança" -Os astronautas Kononenko, McClain e Saint-Jacques estavam sorrindo durante a entrada de Soyuz cápsula, pouco antes do lançamento, de acordo com imagens de TV da Nasa.

Os três asseguraram no domingo que estavam "preparados" e tinham "confiança" no sucesso da decolagem.

"O risco faz parte de nosso ofício", afirmou o comandante Kononenko, de 54 anos, que já participou de três voos espaciais.

O canadense David Saint-Jacques, que estava especialmente contente, enviou beijos ao público que veio cumprimentá-lo antes do lançamento.

No último 11 de outubro, o lançamento do foguete Soyuz, que levava dois astronautas para a ISS, sofreu uma falha.

Dois minutos após a decolagem, um dos propulsores do primeiro estágio do foguete se desprendeu e atingiu o segundo estágio, basicamente composto por combustível.

Essa falha causou a ejeção automática da parte onde estava a cápsula com os dois homens, que puderam retornar com segurança ao solo.

Mas este acidente, o primeiro na Rússia pós-soviética, colocou no banco dos réus o programa Soyuz.

Inicialmente previsto para 20 de dezembro, o lançamento foi antecipado para esta segunda-feira para garantir uma presença permanente de astronautas na ISS, já que a equipe atual deve retornar à Terra nesse dia.

Após sua chegada à Estação Espacial, os astronautas enfrentarão várias missões, por exemplo, fazer uma exploração do furo descoberto em agosto em uma das naves Soyuz amarradas à ISS.

Também participarão de um estudo sobre vermes minúsculos para analisar a perda da musculatura que afeta os astronautas no espaço.

Para realizar este experimento, criado por cientistas da agência espacial britânica, cerca de 360.000 "caenorhabditis elegans", pequenos vermes transparentes de um milímetro de comprimento, serão transportados para a ISS. Este estudo tem como objetivo permitir uma melhor compreensão da atrofia que afeta os músculos com o envelhecimento.

- Um sistema "muito seguro" -David Saint-Jacques defendeu que o foguete espacial é "muito seguro".

Após o lançamento fracassado de outubro, os astronautas "voltaram à Terra sãos e salvos. De certo modo, este episódio me tranquiliza em relação à inteligência da Soyuz e o trabalho incrível da equipe de informação aqui na Terra", explicou Saint-Jacques, de 48 anos.

Semanas depois do acidente, a comissão de investigação concluiu que houve uma "deformação" de um sensor durante a montagem do foguete Soyuz em Baikonur.

O fracasso neste lançamento refletiu as dificuldades da indústria espacial russa. A construção do novo cosmódromo de Vostoshny esteve marcada por muitos casos de corrupção, e o tribunal de contas russo acusou no fim de novembro a Roskosmos pelo desaparecimento de bilhões de rublos "roubados".

O programa espacial da Soyuz é a única maneira de chegar à ISS, depois que os Estados Unidos se retiraram da corrida espacial em 2011.

A ISS orbita a Terra a 28.000 quilômetros por hora desde 1998.

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