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Trump quer trabalhar com China e Rússia para frear corrida armamentista

03/12/2018 22h39

Washington, 4 dez 2018 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, expressou nesta segunda-feira (3) a sua vontade de trabalhar com China e Rússia para acabar com uma corrida armamentista que chamou de "descontrolada", mas foi evasivo sobre o calendário e o impacto dessas eventuais discussões.

As declarações de Trump, que desde a sua eleição tem enviado sinais contraditórios sobre este tema sensível, são feitas em um momento de agravamento das tensões entre Washington e Moscou, que se acusam mutuamente de violar ou contornar os tratados existentes sobre armas.

Muitos países europeus alertaram nos últimos meses sobre os riscos de um ressurgimento da corrida pelas armas nucleares entre os dois antigos inimigos da Guerra Fria.

"Tenho certeza de que, em algum momento no futuro, o presidente Xi (Jinping) e eu, junto com o presidente (Vladimir) Putin da Rússia, começaremos a falar de um fim significativa do que se tornou um importante e incontrolável corrida armamentista", disse.

"Os Estados Unidos gastaram 716 bilhões de dólares este ano, é uma loucura!", escreveu esta manhã no Twitter.

O Kremlin reagiu ao anúncio lamentando que Trump tenha anulado no último minuto a reunião prevista com Putin na Argentina, que ficou restrita a um encontro "informal" durante o G20.

"Esperávamos que o encontro entre Putin e Trump pudesse (...) esboçar uma base para o diálogo sobre este tema. Lamentavelmente, a reunião não ocorreu", destacou o porta-voz russo Dmitri Peskov.

As declarações de Trump são feitas depois que, em outubro, o presidente americano anunciou que abandonaria o Tratado de Mísseis de Médio e Curto Alcance (INF, em inglês), um acordo com Moscou que remonta à Guerra Fria para reduzir o arsenal de mísseis.

Os críticos deste anúncio, que não foi consumado, afirmam que isso desencadearia uma nova corrida armamentista com a Rússia.

Assim, Trump disse que ia reconstruir seus inventários armamentistas até que "recuperem o senso comum".

- Sem um calendário - Quando, em outubro, o presidente americano fez essas declarações, Putin criticou a "falta de sabedoria" de Trump e pediu a "todos os que defendem um mundo sem armas nucleares" que convençam Washington a não avançar na proposta.

Washington critica o envio feito por Moscou de um sistema de mísseis 9M729, com um alcance superior a 500 quilômetros, o que constituiria uma violação do tratado INF.

Este acordo, ao suprimir o uso de uma série de mísseis de entre 500 e 5.000 km de alcance, havia acabado com a crise iniciada nos anos 1980 pelo envio dos SS-20 soviéticos com ogivas nucleares na Europa oriental, e mísseis americanos Pershing na Europa ocidental.

Os Estados Unidos não contam com o respaldo de seus aliados europeus na questão com Moscou.

Embora a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) acuse a Rússia de ter violado o tratado INF ao desenvolver um novo programa de mísseis de longo alcance, o secretário-geral da organização, Jens Stoltenberg, havia advertido que os aliados não querem uma "nova Guerra Fria".

Desde o início do ano, as declarações belicosas de ambas as partes se multiplicaram, mas nesta segunda-feira, o presidente americano adotou um tom mais conciliatório.

O tratado INF de 1987 não incluía a China e visava eliminar a proliferação às portas da Europa.

A data para uma potencial retirada do tratado não havia sido fixada, deixando espaço para um acordo que também inclua Pequim.