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Pedro Sánchez vai a Barcelona retomar diálogo com separatistas catalães

20/12/2018 20h59

Barcelona, 20 dez 2018 (AFP) - Em um incomum comunicado conjunto, o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente regional Quim Torra anunciaram a retomada do diálogo "efetivo", visando a diminuir a crise catalã, após um encontro em uma Barcelona blindada.

O encontro entre Sanchez e Torra começou por volta das 18h30 (horário de Brasília), no Palácio Pedralbes, na capital da Catalunha, fortemente vigiado pela polícia.

Foi realizado na véspera de uma reunião do Executivo espanhol na capital catalã, classificada como "provocação" por ativistas separatistas que pretendem ofuscá-la com várias manifestações.

Ao fim da reunião de uma hora, Sánchez e Torra renovaram "sua aposta em um diálogo efetivo que veicule uma proposta política e que conte com um amplo apoio na sociedade catalã", conforme o comunicado lido pela porta-voz do governo catalão, Elsa Artadi.

Como sinal do compromisso, anunciaram uma nova reunião em janeiro entre membros de ambos os Executivos, para "ver se podemos ir aproximando as posições passo a passo", acrescentou Artadi.

O comunicado conjunto faz votos de que se "avance em uma resposta democrática às demandas da população da Catalunha, no âmbito da segurança jurídica".

O texto mostrou, contudo, que as posições continuam em lados opostos no que diz respeito à autodeterminação da região: em relação ao "conflito sobre o futuro da Catalunha", ambas as partes "mantêm diferenças notáveis sobre [a] origem, natureza, ou [as] vias de resolução".

Sob o lema "Nem pactos nem renúncias: nada para negociar!", o grupo de jovens Arran, ligado ao partido de extrema esquerda CUP, pediu uma manifestação, mas fora do complexo apenas dezenas de pessoas receberam a comitiva presidencial aos gritos de "independência".

Ao chegar ao palácio, Sánchez saiu do carro e foi recebido por Torra, que o cumprimentou brevemente, antes de ambos caminharem para dentro para começar a reunião.

Este é o segundo encontro entre os dois depois do que eles realizaram em 9 de julho, algumas semanas após o líder socialista ter assumido o poder na Espanha.

Como presidente do governo, graças em parte aos votos dos combatentes da independência da Catalunha no Parlamento, desde então, Sánchez embarcou em uma política de apaziguamento da crise catalã.

Mas, embora os contatos entre os ministros do governo espanhol e seus colegas catalães tenham se multiplicado, o clima piorou nas últimas semanas.

Os separatistas catalães, sem os quais Sánchez não tem maioria parlamentar, retiraram seu apoio depois que o Ministério Público pediu entre 7 e 25 anos de prisão para seus líderes, que devem ser julgados no início de 2019 pela fracassada tentativa de secessão da Espanha.

E o próprio Sánchez, pressionado pela direita e pela extrema direita a ser mais rígido com a Catalunha, subiu o tom com os separatistas e os acusou de confiarem em "mentiras" para promoverem sua causa.

- "Muito longe" -"Estamos muito longe, isso é verdade", disse Elsa Artadi, porta-voz do governo catalão, antes da reunião desta quinta-feira, em que os separatistas esperam que se chegue a um acordo sobre "um mecanismo que seja estável" para um diálogo que renda frutos concretos.

"Não podemos avançar, se houver uma reunião em julho. A próxima reunião é em dezembro, se não houver uma maneira formal de ir adiante", disse ele.

Como um gesto de boa vontade, os dois partidos pró-independência no Congresso espanhol votaram na quinta-feira em favor do caminho do déficit do governo espanhol, um passo necessário para preparar o orçamento do Estado.

Mas eles alertaram que esse "gesto" não significa que apoiarão os orçamentos. Se falharem, Pedro Sánchez poderá ser forçado a convocar eleições antecipadas.

Neste clima, Sánchez chegou a Barcelona na quinta-feira para se reunir com Torra, uma reunião que o governo espanhol tentou enquadrar dentro da "normalidade da estrutura do nosso Estado", segundo a vice-presidente Carmen Calvo.

A distância entre Madri e Barcelona ficou evidente, porém, na maneira de apresentar o encontro: o governo catalão insistiu em que é uma "miniconferência", como se fosse entre dois Estados diferentes, uma descrição rejeitada por Madri que a assemelha a outras reuniões de Sánchez com presidentes regionais.

- Numerosos protestos -Na sexta-feira, o dispositivo de segurança irá proteger Barcelona, antes das inúmeras manifestações convocadas para impedir o extraordinário conselho de ministros às 9h GMT (7h em Brasília), que visa a destravar investimentos em infraestrutura na Catalunha, entre outras medidas.

A poderosa associação separatista ANC convocou seus militantes para bloquearem Barcelona na sexta-feira com seus veículos. O Comitê de Defesa da República (CDR) ficará concentrado perto do palácio onde ocorrerá a reunião do Executivo, rejeitada como uma "provocação" pelos separatistas.

"O 21D será ingovernável", diz o Twitter oficial do CDR, com a imagem de um retrato em chamas do rei Filipe VI. À tarde, haverá uma manifestação no centro de Barcelona.

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