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Enviado dos EUA à coalizão internacional que combate o EI renuncia

22/12/2018 19h38

Washington, 22 dez 2018 (AFP) - O enviado especial dos Estados Unidos à coalizão internacional que luta contra o Estado Islâmico, Brett McGurk, apresentou sua renúncia na sexta-feira, informou neste sábado (22) um funcionário do Departamento de Estado.

Sua demissão, que será efetiva em 31 de dezembro, ocorre logo após o presidente Donald Trump ordenar abruptamente a retirada das tropas americanas da Síria, bem como da demissão do secretário da Defesa, Jim Mattis, citando desavenças importantes com o presidente.

McGurk, que tinha sido nomeado por Barack Obama e a quem Trump manteve, disse apenas na semana passada que "ninguém" estava "declarando uma missão cumprida" na batalha contra o EI, apenas dias antes do surpreendente anúncio da vitória contra o movimento extremista por parte do dissidente.

Trump, que adiou suas férias devido ao fracasso nas negociações pelo orçamento que provocaram a paralisação parcial do governo, insistiu neste sábado em que o EI "está praticamente derrotado".

"Quando me tornei presidente, o ISIS estava ficando louco", tuitou o presidente, usando o acrônimo em inglês do grupo. "Agora, o ISIS está praticamente derrotado e outros países locais, inclusive a Turquia, deveriam poder se encarregar facilmente do que resta. Estamos voltando para casa!", acrescentou.

Segundo informes, McGurk assinalou em sua carta de renúncia que os militantes do EI não foram derrotados e que a retirada prematura das tropas americanas poderia fomentar condições que permitam aos extremistas voltar a tomar o poder na região.

Aos 45 anos, o enviado devia deixar o cargo em fevereiro, mas, segundo informes, sentiu que não poderia mais continuar o trabalho depois da declaração de Trump e na sexta-feira avisou o secretário de Estado, Mike Pompeo, a intenção de antecipar sua saída para o fim deste ano.

- "Manter minha integridade" -McGurk estava no cargo desde 2015.

Também foi vice-secretário de Estado para o Iraque e o Irã, e trabalhou sob o comando do republicano George W. Bush como alto funcionário em Iraque a Afeganistão.

Em um e-mail no qual anunciou a demissão aos seus colegas, obtido pelo jornal The New York Times, McGurk qualificou a decisão de Trump como "uma comoção" e "uma completa inversão da política que nos foi expressa".

"Deixo nossos parceiros da coalizão confundidos e nossos companheiros de combate desconcertados", declarou, segundo o jornal.

"Trabalhei esta semana para ajudar a lidar com algumas das consequências, mas, como muitos de vocês escutaram em minhas reuniões e telefonemas, finalmente cheguei à conclusão de que não podia seguir estas novas instruções e manter minha integridade", expressou.

- "Ele toma a decisão" -A notícia encerrou uma semana caótica em que Mattis, considerado um moderado na volúvel Casa Branca de Trump, renunciou depois de dizer ao presidente que não poderia aceitar sua decisão sobre a Síria.

A retirada das tropas de choque deixará milhares de combatentes curdos, que o Pentágono passou anos treinando e armado para combater o EI, vulneráveis a um ataque turco.

"Seria imprudente se disséssemos apenas: 'Bom, o califado físico está derrotado, sendo assim podemos partir agora'", disse McGurk a jornalistas no começo deste mês.

"Acredito que qualquer um que tenha visto um conflito como este estaria de acordo com isso".

Os Estados Unidos apoiaram durante anos as Forças Democráticas Sírias (SDF), lideradas pelos curdos no combate ao EI neste país.

Aldar Khalil, ator-chave no estabelecimento da região curda semiautônoma da Síria em 2013, disse que os Estados Unidos e seus parceiros "devem cumprir seus compromissos".

As saídas de Mattis e agora de McGurk se seguem às do assessor de Segurança Nacional, H.R. McMaster, e do chefe de gabinete da Casa Branca, John Kelly, deixando Trump, que não tem experiência política, diplomática ou militar, cada vez mais só.

Na sexta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Sarah Sanders, desconsiderou as preocupações com a grande quantidade de renúncias e o isolamento de Trump.

"No fim das contas, o povo americano elegeu uma pessoa para ser o comandante-em-chefe", disse.

"E no fim das contas, ele toma a decisão", acrescentou. "Foi eleito para isso".

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