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Direitas fecham acordo para governar Andaluzia após 36 anos de socialismo

26/12/2018 13h29

Madri, 26 dez 2018 (AFP) - Os conservadores Partido Popular (PP) e Cidadãos fecharam, nesta quarta-feira (26), um acordo para governarem a Andaluzia juntos, colocando fim a 36 anos de hegemonia socialista nesta região espanhola.

Para isso, será necessário o inédito apoio do Vox, de extrema direita, que ainda não manifestou sua posição.

"Acabamos de alcançar um acordo histórico na Andaluzia", escreveu no Facebook Albert Rivera, líder nacional do Cidadãos, um partido que avançou com força nas eleições regionais de 2 de dezembro, onde a direita conquistou pela primeira vez maioria parlamentar.

Após várias rodadas de negociações, seu partido acertou 90 medidas programáticas com o PP. Segundo Rivera, elas "desarticulariam a trama clientelista tecida pelo PSOE" durante sua longa hegemonia na Andaluzia.

Entre elas, estão afastar políticos indiciados por corrupção, auditar os gastos do governo em final de mandato, reduzir o imposto de renda e ajudar os empreendedores com a adoção de novas medidas fiscais.

Até janeiro, o próximo passo será formar o novo governo da região, a mais populosa da Espanha. A presidência será, previsivelmente, para Juanma Moreno, líder do PP andaluz, segunda força mais votada em 2 de dezembro, atrás dos socialistas.

A aliança entre o PP e o Cidadãos não alcança a maioria no Parlamento andaluz, motivo pelo qual precisam do Vox. Este é um cenário desconfortável para o Cidadãos, que se situa mais ao centro do espectro político e que apenas no último minuto falou com o partido de extrema direita, após evitá-lo durante semanas.

"Esse acordo é possível apenas com os os votos do VOX. Sem a extrema direita não tem governo. Por que escondem isso? Por vergonha?", tuitou a presidente em final de mandato, a socialista Susana Díaz, referindo-se a Rivera e a seu partido.

Com 109 cadeiras, o novo Parlamento andaluz será formado nesta quinta, em Sevilha. Nele, o Vox terá 12 deputados, após surpreender em 2 de dezembro e obter 11% dos votos. É a primeira vez que uma sigla de extrema direita entra em uma câmara regional na Espanha.

Trata-se de uma virada em um país, no qual essa opção política permaneceu marginal nos últimos 35 anos.

O Vox repetiu a todo momento que não será "um obstáculo para a mudança" na Andaluzia e que não pede para entrar no novo governo. Criticou, porém, ter sido mantido à margem das negociações entre o PP e o Cidadãos.

A sigla ainda não confirmou seu apoio ao pacto de governo PP-Cidadãos, mas hoje está prevista, em Sevilha, uma reunião de alto nível com os "populares".

Até agora, Moreno afirmou que o Vox é uma força, com a qual se deve "dialogar" e disse, sorridente, à imprensa que "é mais do que previsível que eu seja o próximo presidente da Junta da Andaluzia".

A posse está programada para 16 de janeiro.

avl/mg/mb/tt

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