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Internacional

Trump faz visita surpresa ao Iraque e defende saída de tropas da Síria

26/12/2018 22h38

Washington, 27 dez 2018 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou uma visita surpresa às tropas dos EUA no Iraque, nesta quarta-feira (26), para declarar que "os Estados Unidos não podem continuar a ser a polícia do mundo".

O presidente falou com um grupo de aproximadamente 100 pessoas, na maioria integrantes das forças especiais, e separadamente com militares de alta patente, antes de deixar o país horas mais tarde sem se reunir com o primeiro-ministro iraquino, Adel Abdel Mahdi

Trump defendeu sua polêmica decisão de retirar as tropas norte-americanas da vizinha Síria, dizendo que não haverá atrasos.

Trump lembrou durante sua breve visita à Base Aérea de Al-Assad, no oeste do Iraque, que os Estados Unidos têm lutado em guerras de outros países por muito tempo.

"Não é justo quando o peso recai todo sobre nós. Não queremos mais ser explorados por países que nos usam e usam nossos militares incríveis para protegê-los. Eles não pagam por isso e vão ter que pagar".

"Estamos espalhados por todo o mundo. Estamos em países de que a maioria das pessoas nem ouviu falar. Francamente, é ridículo".

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que chegou a controlar amplas zonas na Síria e no Iraque, foi praticamente expulso dos dois países, o que permitirá a retirada dos cerca de 2 mil militares americanos que apoiam combatentes locais no território sírio, segundo o presidente.

Trump também pretende retirar quase a metade dos 14.000 soldados americanos estacionados no Afeganistão, que participam da guerra contra os talibãs.

- "Bastante triste" -A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse no Twitter que o presidente e a primeira-dama viajaram para o Iraque "na noite de Natal para visitar nossas tropas e o comando militar superior para agradecer-lhes pelo serviço, seu sucesso e seu sacrifício e desejar a eles um feliz Natal".

Trata-se de "uma visita surpresa aos nossos corajosos membros do serviço dos EUA atualmente destacados no Iraque", disse a porta-voz de Melania Trump.

O gabinete de Adel Abdel Mahdi disse que ele "deu as boas-vindas" a Trump e que "o convidou a visitar Bagdá".

Mas uma reunião marcada com o primeiro-ministro foi cancelada e substituída por um telefonema.

Segundo o gabinete, Trump convidou Mahdi para ir a Washington e "as duas partes concordaram em continuar fortalecendo as relaciones comuns entre os dois países".

Segundo Trump, o voo ao Iraque foi diferente de todo o que já experimentou antes.

"Se você tivesse visto o que tivemos que passar no avião, escuro, com todas as janelas fechadas, sem luz em nenhum lugar", disse ele sobre a viagem. "Estive em muitos aviões, de todos os tipos, formas e tamanhos", acrescentou.

"Se eu fiquei preocupado? Sim, fiquei preocupado", admitiu o presidente americano.

Trump disse que é "bastante triste" a necessidade de tanto sigilo para ir ver as tropas.

"Bastante triste quando se gasta 7 bilhões de dólares no Oriente Médio, e para entrar tem que estar sob esta cobertura maciça com aviões por todas as partes e todas as melhores equipes do mundo, e se faz o possível para entrar de maneira segura", disse.

Viagens presidenciais para levantar a moral das tropas são uma tradição nos Estados Unidos desde os anos que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Trump recebeu críticas consideráveis por sua recusa até agora a visitar uma zona de guerra.

Além das sessões fotográficas junto com os militares, Trump aproveitou a viagem ao Iraque para explicar com mais detalhes sua decisão de retirar as tropas americanas da Síria e do Afeganistão.

O presidente americano enfrenta uma forte reação de alguns aliados, incluindo a França, e de alguns membros do Partido Republicano por sua decisão de sair da Síria e de reduzir o número de tropas no Afeganistão. Os críticos dizem que ele está sendo perigosamente precipitado.

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