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Trump faz visita surpresa ao Iraque e defende saída de tropas da Síria

26.dez.2018 - Presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, fazem uma visita surpresa às tropas dos EUA no Iraque - AFP
26.dez.2018 - Presidente dos EUA, Donald Trump, e a primeira-dama, Melania Trump, fazem uma visita surpresa às tropas dos EUA no Iraque Imagem: AFP

27/12/2018 11h17

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou uma visita surpresa às tropas dos EUA no Iraque, na quarta-feira (26), para declarar que "os Estados Unidos não podem continuar a ser a polícia do mundo".

Trump falou com um grupo de cerca de 100 pessoas, na maioria integrantes das forças especiais, e, em separado, com militares de alta patente, antes de deixar o país horas mais tarde sem se reunir com o primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdel Mahdi.

Ele defendeu sua polêmica decisão de retirar as tropas norte-americanas da vizinha Síria, dizendo que não haverá atrasos.

Durante sua breve visita à Base Aérea de Al-Assad, no oeste do Iraque, Trump lembrou que os Estados Unidos têm lutado em guerras de outros países por muito tempo.

"Não é justo quando o peso recai todo sobre nós. Não queremos mais ser explorados por países que nos usam e usam nossos militares incríveis para protegê-los. Eles não pagam por isso e vão ter que pagar", acrescentou.

"Estamos espalhados por todo o mundo. Estamos em países de que a maioria das pessoas nem ouviu falar. Francamente, é ridículo", insistiu.

Em conversa com a imprensa, Trump garantiu que, se retirar as tropas da Síria, não prevê "de modo algum" retirar o efetivo estacionado no Iraque. Ele vê, "ao contrário", a possibilidade de usar esse país "como uma base, se tivermos de intervir na Síria".

Embora o governo iraquiano tenha declarado "vitória" sobre o Estado Islâmico (EI) há um ano, o grupo continua a lançar ataques, em especial em Bagdá.

"Se virmos o EI fazer qualquer coisa que nos desagrade, podemos atacá-los tão rápido e tão forte que eles não vão nem se dar conta do que aconteceu", afirmou, sem excluir "voltar a ajudar" a Síria, "em um dado momento", se as circunstâncias assim exigirem.

O Estado Islâmico, que chegou a controlar amplas zonas na Síria e no Iraque, foi praticamente expulso dos dois países. Segundo o presidente, isso permitirá a retirada dos cerca de 2 mil militares americanos que apoiam combatentes locais no território sírio.

Trump também pretende retirar quase metade dos 14.000 soldados americanos estacionados no Afeganistão, os quais participam da guerra contra os talibãs.

'Bastante triste'

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, disse no Twitter que o presidente e a primeira-dama viajaram para o Iraque "na noite de Natal para visitar nossas tropas e o comando militar superior para lhes agradecer pelo serviço, por seu sucesso e por seu sacrifício e desejar a eles um feliz Natal".

Trata-se de "uma visita surpresa aos nossos corajosos membros do serviço dos EUA atualmente destacados no Iraque", disse a porta-voz de Melania Trump.

O gabinete de Adel Abdel Mahdi disse que ele "deu as boas-vindas" a Trump e que "o convidou a visitar Bagdá".

Uma reunião marcada com o primeiro-ministro acabou sendo cancelada por "divergência de pontos de vista" sobre a organização do encontro e substituída por um telefonema.

De acordo com a porta-voz da Casa Branca, por razões de segurança, as autoridades iraquianas foram informadas da chegada apenas duas horas antes do programado. Mahdi estava longe e não poderia participar da comitiva.

Segundo o gabinete, Trump convidou Mahdi para ir a Washington, e "as duas partes concordaram em continuar fortalecendo as relações comuns entre os dois países".

Sarah Sanders disse ainda que o secretário de Estado, Mike Pompeo, deve ir a Bagdá em 11 de janeiro.

Voo 'diferente'

De acordo com Trump, o voo ao Iraque foi diferente de tudo que já experimentou antes.

"Se você tivesse visto o que tivemos que passar no avião, escuro, com todas as janelas fechadas, sem luz em nenhum lugar", disse ele sobre a viagem.

"Estive em muitos aviões, de todos os tipos, formas e tamanhos. Se eu fiquei preocupado? Sim, fiquei preocupado", admitiu o presidente americano.

Trump disse que é "bastante triste" a necessidade de tanto sigilo para ir ver as tropas.

"Bastante triste quando se gasta 7 bilhões de dólares no Oriente Médio e, para entrar, tem que estar sob esta cobertura maciça com aviões por todas as partes e todas as melhores equipes do mundo, e se faz o possível para entrar de maneira segura", disse.

Viagens presidenciais para levantar o moral das tropas são uma tradição nos Estados Unidos desde os anos que se seguiram aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Trump recebeu críticas consideráveis por sua recusa até agora a visitar uma zona de guerra.

Além das sessões fotográficas junto com os militares, Trump aproveitou a viagem ao Iraque para explicar com mais detalhes sua decisão de retirar as tropas americanas da Síria e do Afeganistão.

O presidente americano enfrenta uma forte reação de alguns aliados, incluindo a França, e de alguns membros do Partido Republicano por sua decisão de sair da Síria e de reduzir o número de tropas no Afeganistão. Os críticos dizem que ele está sendo perigosamente precipitado.

Trump já está de volta aos EUA, após uma escala na Base Aérea de Ramstein, no oeste da Alemanha, onde também se reuniu com tropas americanas.

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