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Somália pede à ONU que se abstenha de intervir em seus temas internos

2019-01-03T21:04:00

03/01/2019 21h04

Nações Unidas, Estados Unidos, 3 Jan 2019 (AFP) - A Somália reivindicou nesta quinta-feira (3) ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que se abstenha de interferir em seus assuntos internos, após ter expulsado o emissário da ONU que questionou a decisão do governo de Mogadíscio de deter um ex-shebab candidato em uma eleição regional.

O embaixador somali Abukar Dahir Osman não mencionou especificamente a expulsão de Nicholas Haysom, mas ressaltou que seu país precisava do apoio, e não das críticas, do organismo internacional.

"A ONU e seus representantes têm o dever e, inclusive, a obrigação, de respeitar seu mandato e não interferir em nossos assuntos internos e deixar os somalis tomar seu próprio destino em suas mãos", disse o embaixador.

Declarou ainda que os ex-shebab não podem "assumir cargos de responsabilidade sem passar por programas escritos e estabelecidos de reabilitação".

O ex-shebab Muktar Robow tinha deposto as armas publicamente em agosto de 2017, mas a uma semana de uma eleição regional em que aspirava a ser candidato, o governo federal o deteve, acusando-o de ter "organizado uma milícia" e "não ter nunca renunciado às suas ideologias extremistas".

Em sua declaração ao Conselho de Segurança, Haysom não fez qualquer menção à sua expulsão, mas voltou a criticar as autoridades de Mogadíscio após a morte de 15 pessoas em atos de violência.

O Conselho se reuniu depois a portas fechadas para examinar o caso do emissário da ONU, que entrou em funções em outubro.

"As alegações de interferência do governo federal e as violências que explodiram depois da detenção de um dos candidatos, um ex-encarregado adjunto dos shebab (...) não são de bom agouro para os processos eleitorais que serão desenvolvidas em outras regiões, nem para as eleições nacionais de 2020", disse Haysom.

A Somália é integrada por cinco estados federados, sem contar com a Somalilândia (norte), que proclamou a independência e desconhece o governo central.

As relações entre os estados federados e o governo federal costumam ser tensas. Os primeiros reivindicam maior autonomia, enquanto o segundo tenta evitar que seu poder se dilua.

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