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Governo italiano apoia 'coletes amarelos' e saúda 'Nova Europa'

07/01/2019 17h48

Roma, 7 Jan 2019 (AFP) - Os dois líderes do governo populista italiano deram nesta segunda-feira (7) seu apoio contundente aos "coletes amarelos" na França, exaltando o surgimento de uma "Nova Europa", a poucos meses das eleições europeias.

O vice-primeiro-ministro Luigi Di Maio, líder do Movimento Cinco Estrelas (M5S, antissistema) conclamou os "coletes amarelos" a "não cederem" nesta luta que ele apoia.

"Coletes amarelos, não cedam!", escreveu Di Maio no blog do partido M5S.

"Eu apoio os cidadãos honestos que protestam contra um presidente que governa contra seu povo", afirmou o outro vice-premiê italiano, Matteo Salvini, líder da Liga (extrema direita), embora tenha condenado com "total firmeza" a violência nas últimas manifestações.

Mas foi Di Maio que expressou seu apoio ao movimento dos "coletes amarelos" com mais entusiasmo.

Embora também tenha condenado atos violentos, ofereceu o apoio de seu movimento, particularmente de sua plataforma na Internet, denominada de "Rousseau", para "organizar eventos no território" ou, inclusive, "escolher candidatos" e "definir o programa eleitoral" através de seu sistema de votação.

"Rousseau" é uma plataforma interativa na Internet que permite a todos os registrados no M5S participar da elaboração dos programas, da redação das leis e também da seleção de candidatos para as eleições locais ou nacionais.

- Governo Macron 'elitista' -A prefeita de Roma, Virgina Raggi, venceu as eleições municipais em 2016 após ter sido selecionada pelos militantes durante uma final entre dez candidatos, todos desconhecidos do grande público.

No entanto, na Itália, "Rousseau" foi criticada por sua falta de transparência e por estar sob o controle de uma empresa criada por um dos fundadores do M5S, Roberto Casaleggio, teórico da democracia direta e crítico da democracia representativa.

"É um sistema concebido por um movimento horizontal e espontâneo como o de vocês e adoraríamos se vocês quisessem utilizá-lo", acrescentou Di Maio em seu convite aos "coletes amarelos" franceses.

"Como outros governos, o da França pensa sobretudo em representar os interesses das elites, daqueles que vivem dos privilégios", afirmou o líder do M5S.

"O governo de (Emmanuel) Macron não está á altura das expectativas e algumas políticas implementadas são realmente perigosas, não só para os franceses, mas também para a Europa", acrescentou Di Maio.

"Nós, na Itália conseguimos reverter esta tendência", declarou, dando-lhes as boas-vindas e convidando os "coletes amarelos" a fazerem o mesmo.

- 'Nasce uma Nova Europa' -"Nasce uma Nova Europa: a dos 'coletes amarelos', a dos movimentos, a da democracia direta. É uma dura batalha que podemos enfrentar juntos. Mas, vocês, 'os coletes amarelos', não esmoreçam!", concluiu Di Maio, que já lançou a campanha do M5S para as eleições europeias de maio.

Este movimento surgiu em protesto contra a alta nos preços dos combustíveis para depois defender reivindicações mais amplas, relativas aos impostos ou ao direito a um referendo de iniciativa cidadã.

Debilitado por este protesto inédito, Macron anunciou, em 10 de dezembro, uma série de medidas - como o aumento em 100 euros do salário mínimo - e prometeu, em discurso em 31 de dezembro, uma volta à "ordem republicana". Mas as vozes críticas estão muito longe de se calar.

Embora a participação tenha diminuído, durante oito fins de semana, os militantes se manifestaram em toda a França, e algumas vezes os protestos acabaram em atos violentos.

"A ira se transformará em ódio se você continuar em seu pedestal, você e os que, como você, considerando o povo como mendigos, desdentados, gente que não é nada", advertiu o coletivo dos "coletes amarelos" denominado "França em cólera", em uma carta aberta dirigida ao presidente Macron há alguns dias.

Diante desta determinação, o governo endureceu o tom. O ministro do Interior, Christophe Castaner, exortou os prefeitos a continuar realizando evacuações, lançando mão da força se necessário, na "centena de pontos de concentração" que continuam existindo nas rodovias francesas.

Desde o início do movimento, mais de 1.500 pessoas ficaram feridas, 53 delas com gravidade, entre os manifestantes, e quase 1.100 entre as forças de segurança. Além disso, dez pessoas morreram, principalmente em acidentes à margem do bloqueio de rodovias.

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