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Shutdown bate recorde e é o mais longo da história dos EUA

2019-01-12T14:51:00

12/01/2019 14h51

Washington, 12 Jan 2019 (AFP) - Causada por uma queda de braço entre a Casa Branca e o Congresso pelo financiamento do muro fronteiriço proposto pelo presidente Donald Trump, a paralisia parcial do governo dos Estados Unidos passou a ser a mais longa da história do país neste sábado (12), ao completar 22 dias.

Iniciado em 22 de dezembro, o "shutdown" já deixou cerca de 800 mil funcionários em situação de licença não remunerada e superou o recorde anterior de 21 dias, registrado entre 1995 e 1996 durante o mandato do democrata Bill Clinton.

Por enquanto, nem Trump, que exige do Legislativo 5,7 bilhões de dólares para seu muro na fronteira com o México, nem a oposição democrata no Congresso, que se nega a liberar esses recursos para uma obra que considera "imoral", cara e ineficaz para combater a imigração ilegal, dão seu braço a torcer.

Trump recuou em suas ameaças de acabar com o ponto morto nas negociações, declarando uma emergência nacional e tentando procurar recursos à revelia do Congresso. A medida quase certamente colocaria o país em uma tempestade política, com uma previsível batalha nos tribunais por extrapolar os poderes presidenciais.

"A solução fácil, para mim, é declarar uma emergência nacional... (mas) não vou fazer tão rápido porque cabe ao Congresso fazer isso", disse Trump à imprensa.

Já o Congresso adiou, no mínimo até segunda-feira, uma sessão prevista para ontem para tratar do tema.

Na sexta, a Câmara de Representantes aprovou uma lei, que já havia passado pelo Senado, para garantir que os funcionários recebam seu salário com caráter retroativo, depois do fim do "shutdown". Agora, cabe ao presidente Trump sancionar o texto.

Esse tipo de medida é normal quando o país sofre uma paralisia parcial, mas não beneficia os milhões de trabalhadores terceirizados também afetados.

- 'Tomados como reféns' -O "shutdown" altera o funcionamento de vários departamentos essenciais, como o de Segurança Interna (DHS), o da Justiça e o dos Transportes.

"Mais de 200.000 funcionários do DHS - encarregados de proteger nosso espaço aéreo, nossas vias fluviais e nossas fronteiras - não vão receber seu salário enquanto trabalham", denunciou o presidente democrata da Comissão para a Segurança Nacional da Câmara de Representantes, Bennie Thompson.

Os principais sindicatos do transporte aéreo, incluindo os de pilotos, tripulação e controladores aéreos, denunciaram na quinta-feira que a situação está piorando e advertiram sobre o risco para a segurança nacional.

De sábado até segunda-feira, um terminal do aeroporto de Miami ficará fechado de forma intermitente por falta de pessoal.

Cerca de 2.000 funcionários protestaram na quinta-feira, em Washington, para manifestar sua preocupação com a deterioração das condições de vida.

"Temos contas a pagar. Temos que pagar nossas hipotecas", desabafou Anthony, da Guarda Costeira.

"Sempre tive o salário mais alto em casa, e os tempos estão difíceis agora que o dinheiro não chega. Felizmente, temos algumas economias para viver, mas não vão durar muito", acrescentou.

"Fomos tomados como reféns" pelo presidente, criticou.

Em todo país, estão sendo organizadas iniciativas privadas e públicas, como refeições gratuitas, ou férias do trabalho para esses funcionários tecnicamente desempregados.

Diante da falta de acordo no Congresso, Trump levantou a bandeira da "emergência nacional", um procedimento que parecia que ativaria na sexta-feira.

"Temos o direito absoluto de declarar uma emergência nacional, é um problema de segurança", alegou, em visita à McAllen, na fronteira com o México.

Após reunião com Trump na sexta-feira, o senador republicano pela Carolina do Sul e grande apoiador da agenda trumpista, Lindsey Graham, insistiu: "presidente, invoque já uma emergência nacional. Construa já o muro".

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