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Assassinado no México o jornalista Rafael Murúa, o primeiro de 2019

2019-01-21T18:39:00

21/01/2019 18h39

México, 21 Jan 2019 (AFP) - O jornalista Rafael Murúa tornou-se o primeiro repórter a ser assassinado em 2019 no México, um dos países mais perigosos para a imprensa, após receber ameaças no estado de Baja California Sur.

Murúa, de 34 anos, era diretor de uma rádio comunitária na região norte do estado e tinha sido declarado desaparecido na tarde de domingo, quando apareceu morto, segundo versões da imprensa local.

"Condeno o assassinato do jornalista sul-californiano Rafael Murúa Manríquez. Minha solidariedade a sua família e ao sindicato jornalístico sul-californiano", escreveu no Twitter o governador do estado, Carlos Mendoza.

"O covarde crime contra Rafael Murúa não ficará sem punição", assinalou o governador, dizendo que instruiu que a Promotoria siga todas as linhas de investigação para esclarecer o crime.

De acordo com o jornal El Universal, o jornalista denunciou anteriormente intimidação e ameaças. O periódico acrescentou que da última vez que foi visto estava caminhando no sábado à noite na localidade de Santa Rosalía, no município de Mulegé.

Balbina Flores, representante no México da Repórteres Sem Fronteiras, apontou que Murúa estava sob custódia do organismo de proteção do governo para jornalistas e defensores de direitos humanos.

"O que sabemos e pudemos confirmar ontem é que estava incorporado ao mecanismo de proteção desde junho de 2017 por ameaças ao prefeito do seu município (Mulegé)", disse Flores à AFP.

"Sim, temos certeza de que as medidas de segurança usadas foram apenas o botão de pânico", acrescentou.

A Artigo 19, uma ONG que defende a liberdade de expressão, também lamentou o assassinato do comunicador.

"Esta organização continua a documentar os fatos. Para sua família e companheiros, solidariedade nestes momentos difíceis", escreveu no Twitter.

O México é o segundo país mais perigoso do mundo para exercer o Jornalismo depois da Síria e do Afeganistão, com mais de 100 comunicadores mortos desde 2000, segundo a Repórteres Sem Fronteiras.

Em 2018, 10 comunicadores foram mortos em diferentes partes do país. A grande maioria desses homicídios permanece impune.

Baja California Sur, onde ocorreu o assassinato e onde também fica o balneário de Los Cabos, frequentado por turistas internacionais, sofreu uma escalada de violência ligada ao crime organizado nos últimos anos.

Em 2015, o estado na costa do Pacífico registrou 19,77 homicídios a cada 100.000 habitantes, número que subiu para 27,45 no ano seguinte. Em 2017, subiram para 75,32/100.000.

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