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Internacional

Crise na Venezuela deve dominar a visita do papa ao Panamá

24/01/2019 11h36

Panamá, 24 Jan 2019 (AFP) - O papa Francisco falará nesta quinta-feira a uma América Latina dividida pela crítica situação política na Venezuela e vivendo um fenômeno migratório sem precedentes, que pune especialmente os jovens.

Será a primeira mensagem do pontífice depois de sua chegada ao Panamá para a Jornada Mundial da Juventude, que coincide com um momento delicado para a região: o líder da oposição Juan Guaidó proclamou-se presidente da Venezuela com o reconhecimento dos Estados Unidos e outros governos da região, como o Brasil e a Argentina.

Assim, o início da visita de cinco dias do papa argentino, de 82 anos, foi inevitavelmente marcado pelo caso venezuelano.

Em seu caminho para a nunciatura panamenha, um jovem com a bandeira da Venezuela nas mãos, escapou do cordão de segurança e correu para o lado direito do veículo onde estava o pontífice, obrigando o motorista a desviar.

E entre as dezenas de milhares de pessoas que acompanharam o percurso, um peregrino levantou um cartaz que dizia "Ore pela Venezuela".

- Consolo para os jovens migrantes -A agenda oficial do papa Francisco nesta quinta-feira começa com reuniões com o presidente panamenho Juan Carlos Varela, no Palácio de las Garzas, com e autoridades do corpo diplomático no Palácio de Bolívar.

Mais tarde, o pontífice se encontrará com 70 bispos da América Central.

No final do dia, Francisco fará sua primeira missa na capital do Panamá.

Antes do terremoto político da Venezuela, o chefe da Igreja Católica, em sua primeira viagem à América Latina desde o ano passado, esperava colocar ênfase especial em suas mensagens sobre a onda migratória na região, com hondurenhos, guatemaltecos, salvadorenhos, nicaraguenses e venezuelanos cruzando fronteiras em massa.

Mas, filho de imigrantes italianos, Francisco não perderá a oportunidade de apoiar os jovens forçados a deixar seus países de origem para buscar melhores condições de vida, fugindo de conflitos políticos, violência de gangues e dificuldades econômicas.

Mas muitos estarão de olho na possibilidade de Francisco dedicar algumas palavras à crise venezuelana.

Em dezembro passado, Francisco desejou que a Venezuela "encontrasse novamente a harmonia e que todos os membros da sociedade trabalhassem fraternalmente pelo desenvolvimento do país, ajudando os setores mais fracos da população".

Embora o papa tenha até o momento evitado o confronto direto com o governo de Maduro, a cúpula da Igreja Católica venezuelana é alvo de críticas tanto do atual presidente quanto de seu antecessor, o falecido Hugo Chavez (1999-2013).

Francisco chegou a enviar um emissário ao país do petróleo para acompanhar um diálogo entre o governo e a oposição no final de 2016, negociações que falharam entre acusações mútuas de quebra de acordos.

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