PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Luis, o jovem panamenho que recebeu do papa o milagre da liberdade

25/01/2019 20h27

Panamá, 25 Jan 2019 (AFP) - Luis, um jovem preso panamenho que sonha em ser chef, recuperou, nesta sexta-feira (25), a liberdade depois de se confessar com o papa Francisco, que visitou no Panamá um centro de detenção de menores localizado em um bairro humilde.

Com a voz trêmula, Luis se dirigiu ao papa de costas para as câmeras.

"Agradeço que dedique seu tempo a ouvir um jovem privado de liberdade como eu, não existem palavras para descrever a liberdade que sinto neste momento", declarou.

E, posteriormente, a metáfora se concretizou.

Este jovem panamenho é um dos 180 detidos no Centro de Cumprimento de Menores de Pacora, a nordeste da Cidade do Panamá, para onde o papa Francisco foi a fim de levar uma mensagem de compaixão.

"A corda arrebenta para o lado mais fraco, o dos pobres e dos indefesos, que são os que mais sofrem nestas condenações sociais", disse Francisco.

Na prisão, localizada em um bairro que convive com a pobreza e a violência, o papa ouviu cinco jovens em um confessionário sob um toldo improvisado.

"Causei um dano muito profundo a um ente querido e a mim. Quando me prenderam, achei que tudo tinha acabado", mas "meditando uma noite algo me disse que tudo ainda não havia acabado", afirmou Luis.

Condenado em 2016 por um crime que as autoridades mantiveram em segredo, o jovem explicou ao pontífice que sonha em ser um chef internacional para dar uma "alegria" a sua mãe e mudar sua vida.

O que Luis não sabia é que minutos depois de contar a sua vida ao papa e ser confessado, seria um dos nove detidos a recuperar a liberdade em dois centros do país, segundo anúncio de fontes oficiais.

"Qualquer um rouba, qualquer um mata e qualquer um comete crimes, mas qualquer um é corajoso e se atreve a mudar?", disse outro detento que se confessou, o qual não pôde ser identificado por disposições legais panamenhas.

"As expectativas da minha vida mudaram muito, depois de ouvi-lo (papa) falar sinto que não é mais necessário sair para a rua com medo do que vão dizer, se eu não for corajoso e me atrever a mudar", acrescentou.

O papa recebeu muitos presentes artesanais feitos pelos presos, como quadros, um cajado de madeira, pão e uma peça de mobília para apoiar os pés.

Internacional