PUBLICIDADE
Topo

Islamitas radicais convocam protestos contra paquistanesa cristã

30/01/2019 11h10

Islamabad, 30 Jan 2019 (AFP) - Um partido muçulmano radical convocou uma manifestação nesta quarta-feira para protestar contra o veredicto judicial que permite que a cristã Asia Bibi, acusada de blasfêmia, possa deixar o país.

"Os muçulmanos devem agir hoje", afirmou o partido de Tehreek-e-Labaik (TLP), que já havia bloqueado o país por três dias quando a absolvição de Bibi foi decidida no final de outubro de 2018.

"Nós podemos morrer, mas não desrespeitar a honra do profeta", acrescentou o TLP.

Na véspera, o Supremo Tribunal do Paquistão rejeitou um recurso contra a absolvição de Bibi, após anos de batalha judicial desde sua condenação por blasfêmia.

Bibi, uma trabalhadora agrícola de quase 50 anos, mãe de cinco filhos, foi condenada à morte em 2010 por blasfêmia, após uma discussão sobre um copo de água com vizinhas muçulmanas.

O Supremo Tribunal não aceitou a abertura de um recurso contra esta decisão, solicitada por Qari Saalam, imã da localidade em que Asia Bibi foi acusada de blasfêmia.

Nada parece impedir agora Asia Bibi de abandonar o país muçulmano muito conservador, onde ela vive sob intensa proteção, pois é considerada um alvo dos extremistas religiosos.

A França já se declarou disposta a receber a cristã, assim como o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau.

Desde que foi colocada em liberdade em 8 de novembro, Asia Bibi mora em um local seguro no Paquistão, de acordo com as autoridades.

A absolvição da cristã provocou grandes manifestações de islamitas, que pediram seu enforcamento.

Os islamitas que exigem sua execução bloquearam durante três dias as principais rodovias do país.

O governo paquistanês se comprometeu a iniciar um procedimento para impedir que Asia Bibi abandone o país, e a não bloquear uma demanda de revisão do julgamento que deve ser examinada pelo Supremo.

O acordo foi muito criticado por vários paquistaneses, irritados com a concessão do Estado aos extremistas.

No final de novembro, no entanto, centenas de simpatizantes do partido TLP, que bloqueou as estradas no país, foram detidos.

Khadim Hussain Rizvi, líder do TLP, é acusado de rebelião e terrorismo, o que pode ser punido com prisão perpétua.

"Jamais aceitaremos uma decisão contra o Alcorão", advertiu o TLP antes do anúncio da sentença em um comunicado que prometia um "movimento que será visto por todo o mundo" no caso de decisão favorável à "blasfêmia".

O caso de Bibi teve repercussão internacional e chamou a atenção dos papas Bento XVI e Francisco, que se reuniu com uma das filhas da acusada.

O caso também divide o Paquistão, onde a blasfêmia é um assunto muito delicado e onde simples acusações bastam para provocar linchamentos.

Associações de defesa dos direitos humanos consideram Asia Bibi um símbolo dos excessos da lei que reprime a blasfêmia no Paquistão, muita vezes utilizada, segundo os críticos, para acertos de contas pessoais.

O Paquistão tem quase 50 pessoas acusadas de blasfêmia e condenadas à morte, segundo uma estimativa de 2018 da Comissão Internacional para a Liberdade Religiosa dos Estados Unidos.

ga/jf/ahe/phv/al/zm/cn

Internacional