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Internacional

ONU: o sistema internacional de controle de armas está em colapso

25/02/2019 12h23

Genebra, 25 Fev 2019 (AFP) - Os principais elementos do sistema internacional de controle de armas estão "em colapso", alertou nesta segunda-feira o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, que saiu em defesa do tratado nuclear INF e pediu para que se evite uma nova corrida armamentista nuclear.

"Vou ser direto: os principais elementos da arquitetura internacional de controle de armas estão em colapso", alertou Guterres na Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento, em Genebra.

Em particular, ele explicou que "o uso continuado e impune de armas químicas é a causa de uma nova proliferação renovada" e que "milhares de civis continuam a perder suas vidas como resultado de armas leves ilícitas e o uso em áreas urbanas de armas explosivas concebidas para campos de batalha".

Além disso, "novas tecnologias de armas intensificam os riscos de uma forma que ainda não entendemos e nem podemos imaginar".

"Precisamos de uma nova visão do controle de armas no atual contexto de segurança internacional", ressaltou o secretário-geral da ONU.

Guterres lamentou ainda que os Estados estejam buscando "a segurança" não através da "diplomacia", mas "desenvolvendo e acumulando novas armas". "A situação é particularmente perigosa em relação às armas nucleares", disse ele.

O alerta é feito depois da retirada de Washington de um tratado da Guerra Fria, o Tratado INF, que proíbe mísseis com alcance de 500 a 5.500 km, com os Estados Unidos acusando a Rússia de infringir as disposições deste emblemático tratado da Guerra Fria assinado em 1987.

Em resposta, Moscou fez o mesmo, denunciado "acusações imaginárias" da parte dos Estados Unidos para motivar sua saída do tratado. O tratado deve caducar em outubro.

- INF e New Start -"O desaparecimento do Tratado INF (...) tornaria o mundo menos seguro e mais instável, e essa insegurança e instabilidade serão fortemente sentidas aqui na Europa", disse Guterres.

"Nós simplesmente não podemos nos dar ao luxo de retornar a uma competição nuclear desenfreada como nos dias mais sombrios da Guerra Fria", advertiu ele, pedindo que "as partes do Tratado INF usem o tempo que lhes resta para empenhar-se num diálogo sincero sobre os vários pontos que foram levantados".

"É muito importante que este tratado seja preservado", insistiu, pedindo que Moscou e Washington estendam o tratado do New Start de redução dos arsenais nucleares, que expira em 2021.

O mais recente tratado bilateral de controle de armas, o New Start, assinado em 2010, prevê uma redução dos arsenais nucleares estratégicos dos EUA e da Rússia, para aniquilar o planeta.

"Os Estados não podem deixar o mundo se dirigir como um sonâmbulo a uma nova corrida armamentista nuclear", insistiu Guterres, lamentando o fato de que a Conferência sobre Desarmamento, o único fórum multilateral para as negociações de desarmamento, "não empreendeu negociações em 20 anos sobre a questão da proibição de armas nucleares".

Aproveitando o novo clima criado pelo presidente americano Barack Obama, a Conferência saiu em 29 de maio de 2009 de 12 anos de letargia, adotando pela primeira vez desde 1996 um programa de negociações sobre material físsil e discussões sobre armas no espaço e desarmamento nuclear.

Mas a Conferência sobre Desarmamento continua em um impasse, pois os países membros não são capazes de chegar a um consenso sobre este programa de trabalho. Há um ano, no entanto, estabeleceram cinco órgãos separados para alcançar pontos de convergência.

apo/gca/glr/mr

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