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Internacional

A onda de escândalos de pedofilia na Igreja católica

26/02/2019 17h49

Cidade do Vaticano, 26 Fev 2019 (AFP) - A Igreja Católica se encontra em meio a uma onda de escândalos de pedofilia, como o que envolveu o cardeal australiano George Pell, número três do Vaticano, condenado por abusar sexualmente de dois menores.

Na semana passada, o Vaticano realizou uma cúpula inédita sobre pedofilia. Ao final do encontro, o papa Francisco prometeu "uma luta em todos os níveis" contra os abusos sexuais por parte do clero.

- Estados Unidos -Em fevereiro, o papa Francisco expulsou do sacerdócio o ex-cardeal americano Theodore McCarrick, de 88 anos, acusado de abusos sexuais há quase meio século. Foi a primeira vez que um cardeal foi reduzido ao estado laico por tais motivos.

Em agosto, uma investigação da promotoria da Pensilvânia revelou abusos sexuais realizados por mais de 300 "padres predadores" e seu encobrimento por parte da Igreja católica desse estado, onde ao menos 1.000 crianças foram vítimas desses atos.

Nos anos 2000, segundo uma investigação do jornal Boston Globe, altos cargos da diocese de Boston, e em particular o arcebispo Bernard Law, encobriram sistematicamente os abusos sexuais cometidos por cerca de 90 sacerdotes durante décadas. Law, refugiado no Vaticano após renunciar ao cargo em 2002, faleceu em 2017.

A Igreja católica americana recebeu entre 1950 e 2013 denúncias de 17.000 vítimas de abusos cometidos por 6.400 membros do clero entre 1950 e 1980, segundo o site bishop-accountability.org.

- Chile -No Chile, há investigações abertas contra 167 pessoas, entre elas sete bispos, 96 sacerdotes e outros laicos vinculados à Igreja, por agressões sexuais a menores e adultos desde a década de 1960.

O número de vítimas destes casos chega a 178. Entre elas, 79 eram menores de idade quando ocorreram os abusos.

Durante sua viagem ao Chile em janeiro de 2018, o papa Francisco defendeu o bispo Juan Barros, acusado de encobrir durante décadas o padre Fernando Karadima, condenado por abusos sexuais a menores nos anos 1980 e 1990.

Depois, em maio, voltou atrás: convidou algumas vítimas a Roma e convocou todos os bispos chilenos, que apresentaram sua renúncia em bloco após se reunirem com Francisco. O papa aceitou até agora a renúncia de sete deles, incluindo a de Juan Barros.

- Austrália -Um tribunal de Melbourne declarou o cardeal George Pell, de 77 anos, culpado de uma acusação de agressão sexual e quatro de atos indecentes contra dois coroinhas que tinham 12 e 13 anos na época dos acontecimentos, nos anos 1990.

A corte emitiu seu veredito em 11 de dezembro, mas não este só foi divulgado nesta terça, por motivos legais.

Ainda não foi estabelecida a pena que o cardeal deverá cumprir.

Em 30 de julho, o papa Francisco aceitou a renúncia do arcebispo de Adelaide, Philip Wilson, condenado a um ano de prisão por ter encoberto os crimes cometidos pelo padre Jim Fletcher nos anos 1970 no estado de Nova Gales do Sul.

- Alemanha -Desde 2010 foram revelados centenas de casos de abusos sexuais sofridos por menores em instituições religiosas, incluindo o prestigioso Canisius-Kolleg de Berlim.

Em 18 de julho de 2017, um informe revelou que ao menos 547 crianças do coro da catedral de Ratisbona sofreram abusos, incluindo estupros, entre 1945 e o início da década de 1990.

Em setembro de 2018, outro trabalho de investigação revelou que ao menos 3.677 crianças, em sua maioria menores de 13 anos, sofreram abusos sexuais entre 1946 e 2014 por parte de 1.670 religiosos. A maioria destes crimes ficaram impunes.

- Irlanda -Nos anos 2000, as acusações de abusos sexuais infligidos durante décadas a 14.500 crianças sacudiram a Igreja. Vários bispos e sacerdotes, acusados de tê-los encoberto, foram sancionados.

Durante sua viagem a Irlanda em agosto de 2018, o Papa se reuniu com uma vítima do padre católico Tony Walsh, que abusou de crianças durante duas décadas, antes de ser expulso do sacerdócio e preso.

- França -Em 7 de março, um tribunal julgará o cardeal Philippe Barbarin e cinco ex-membros da diocese de Lyon (centro-leste), acusados de não ter denunciado os abusos sexuais a menores supostamente cometidos pelo sacerdote Bernard Preynat - à espera de julgamento - contra 70 menores escoteiros entre 1986 e 1991.

Este escândalo é contado no filme "Grâce à Dieu" (graças a Deus), do diretor francês François Ozon, Grande Prêmio do Juri no último Festival de Berlim.

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