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Internacional

EUA aumentam aposta diplomática para tirar Maduro do poder

26/02/2019 14h57

Nações Unidas, Estados Unidos, 26 Fev 2019 (AFP) - Os Estados Unidos aumentaram a pressão diplomática contra o governo de Nicolás Maduro pedindo uma reunião urgente na Venezuela nesta terça-feira no Conselho de Segurança da ONU, embora ao mesmo tempo esteja agitando a ameaça do uso da força para forçar sua saída.

A opção militar na Venezuela é esboçada por Donald Trump há meses, mas é difícil para o presidente dos EUA se opor à vontade do Grupo Lima, composto por 13 países latino-americanos e pelo Canadá, que na segunda-feira descartou o uso da força para derrubar para Maduro quando a maioria de seus membros se reuniu em Bogotá.

Chávez investiu milhões nas últimas duas décadas para fortalecer e engrossar as fileiras de sua Força Armada, que têm mais de 365 mil membros e 1,6 milhão de combatentes civis.

Embora algumas centenas de soldados tenham desertado e cruzado a fronteira para a Colômbia, adotando a anistia prometida pelo opositor e autoproclamado presidente Juan Guaidó, a liderança militar continua fiel a Maduro.

- Um muro diplomático -Enquanto espera, Washington aposta na construção de um muro diplomático em torno do herdeiro de seu falecido arqui-inimigo Hugo Chávez e já preparou um projeto de resolução na ONU que pede eleições presidenciais "livres, confiáveis e justas" na Venezuela, na presença de observadores internacionais.

Se for submetido à votação no Conselho, que se reunirá para discutir a crise venezuelana às 17 horas (horário de Brasília), o projeto poderá ser vetado pela Rússia, que apoia Maduro.

A Rússia, enquanto isso, preparou seu próprio projeto de resolução denunciando as "tentativas de intervir" na Venezuela e é perturbada por "ameaças do uso da força". Mas ainda não tem os nove votos necessários para aprová-lo.

A situação na Venezuela dividiu os Estados-membros da ONU, onde dezenas de países como China, Irã, Coreia do Norte, Cuba, Nicarágua e Bolívia também apoiam Maduro.

Os Estados Unidos anunciaram nesta semana o congelamento de bens de quatro governadores alinhados com Maduro em retaliação à repressão de manifestantes que defenderam a entrada da ajuda humanitária estrangeira pedida por Guaidó nas fronteiras com a Colômbia e o Brasil.

Quatro pessoas morreram neste fim de semana e centenas ficaram feridas nos confrontos, segundo a ONG Fórum Penal.

Washington também pediu ao Grupo Lima para transferir os ativos da companhia estatal de petróleo PDVSA para Guaidó, sem deixá-los entrar no "círculo interno de Maduro" para seus países.

O governo americano anunciou ainda um novo desembolso de US$ 56 milhões para países que recebem migrantes venezuelanos, elevando para 195 milhões o valor doado nos últimos dois anos para que a região enfrente o êxodo de 2,7 milhões de venezuelanos desde 2015.

O Grupo Lima informou que pedirá ao Tribunal Penal Internacional (TPI) que considere a "violência criminosa do regime" de Maduro em face da "grave situação humanitária" que está gerando na Venezuela.

lbc/lda/cc

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