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Internacional

EUA pressiona ONU pela entrada de ajuda humanitária na Venezuela

26/02/2019 21h06

Nações Unidas, Estados Unidos, 27 Fev 2019 (AFP) - Os Estados Unidos anunciaram nesta terça-feira (26) que pedirão na ONU que a entrada de ajuda humanitária estrangeira na Venezuela seja permitida, aumentando sua aposta diplomática para forçar a queda de Nicolás Maduro.

"Enquanto os venezuelanos eram baleados, espancados e assassinados quando tentavam entrar com alimentos e medicamentos em seu país, Maduro literalmente dançava em Caracas", disse o representante americano para a Venezuela, Elliott Abrams, em uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU convocada por Washington.

Abrams disse que o governo de Maduro é "corrupto, fraudulento e incompetente" e pediu aos Estados-membros da ONU que o pressionem "para que saia do poder de maneira pacífica".

Ele não evocou em seu discurso a possibilidade de uma opção militar, e informou à imprensa que os Estados Unidos cogitam submeter a votação esta semana no Conselho um projeto de resolução que exige "admitir a ajuda humanitária na Venezuela", embora possivelmente seja vetado pela Rússia e pela China, que apoiam Maduro.

"Será vergonhoso se vetarem uma resolução que pede ajuda humanitária", disse Abrams.

As resoluções do Conselho, que são vinculantes, precisam de nove votos para serem aprovadas e nenhum veto dos cinco membros-permanentes (Grã-Bretanha, China, França, Rússia e Estados Unidos).

Maduro denuncia que a ajuda humanitária estrangeira representa o início de uma intervenção armada para derrubá-lo, "mas está muito claro: só o regime de Maduro está usando a violência" contra os venezuelanos, afirmou Abrams.

Quatro pessoas morreram e centenas ficaram feridas no fim de semana em confrontos violentos entre as forças de Maduro e manifestantes que defendiam a entrada de ajuda humanitária nas fronteiras da Venezuela com a Colômbia e o Brasil, segundo a ONG Fórum Penal.

- O golpe "fracassou" -O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse que o que aconteceu no fim de semana foi "um golpe de Estado bem orquestrado" pelos Estados Unidos e pela Colômbia, "um espetáculo, um show" para culpar Maduro se houvesse um banho de sangue.

"Eu disse a Abrams em Nova York: 'Fracassou! It failed!'", exclamou o chanceler ao lembrar que a enorme maioria das forças armadas permanece leal a Maduro.

Arreaza chamou o Conselho de Segurança a aprovar um projeto de resolução preparado pela Rússia que condena o eventual uso da força na Venezuela, um texto que por enquanto não conta com os votos necessários para ser aprovado.

Os Estados Unidos querem criar "um espetáculo em torno da Venezuela" e "derrubar um regime que não lhe convém", denunciou o embaixador russo perante a ONU, Vassily Nebenzia.

O embaixador chinês, Ma Zhaoxu, disse que seu governo se opõe à ingerência externa em assuntos internos dos países, à intervenção militar e a uma "denominada assistência humanitária com fins políticos para provocar instabilidade ou inclusive turbulência na Venezuela e em regiões vizinhas".

Na segunda-feira, o Grupo de Lima descartou o uso da força para derrubar Maduro, mas o vice-presidente americano, Mike Pence, que assistiu à reunião do grupo em Bogotá, disse que para Washington "todas as opções estão sobre a mesa".

- "Meu dever é estar em Caracas" -"É preciso permitir que a ajuda humanitária entre no país", concordaram oito países europeus, incluindo cinco que integram o Conselho de Segurança (Grã Bretanha, Alemanha, França, Bélgica e Polônia), em uma declaração divulgada nesta terça-feira.

Os europeus também pediram a organização de eleições presidenciais "livres, transparentes e confiáveis" na Venezuela, e pediram para que seja evitado o recurso à força.

"O mundo não pode ignorar esta crise", disse ao Conselho o diplomata britânico Stephen Hickey, que lamentou o colapso da economia venezuelana causado por "anos de mau governo e corrupção". "O povo venezuelano sofreu demais. A única solução são eleições presidenciais livres e justas".

Em Bogotá, Pence se reuniu com o opositor venezuelano Juan Guaidó, oferecendo apoio: "Estamos com você 100%".

Guaidó, presidente do Parlamento, anunciou que retornará à Venezuela nesta semana, depois de ter violado a ordem judicial de permanecer no país. "Meu dever é estar em Caracas apesar dos riscos", disse nesta terça em Bogotá.

Estados Unidos e Colômbia disseram estar seriamente preocupados com a segurança de Guaidó quando ele voltar à Venezuela.

Em Caracas, uma equipe do veículo Univisión foi detida na segunda-feira por mais de duas horas na sede da presidência venezuelana durante uma entrevista a Maduro, que se irritou com o jornalista Jorge Ramos que lhe foi mostrado um vídeo com jovens recolhendo comida do lixo.

A Univisión disse que Maduro "ordenou interromper a gravação, apreender os equipamentos e deter os jornalistas", e denunciou que eles foram deportados nesta terça, sem que os equipamentos fossem devolvidos.

A Venezuela atravessa a pior crise de sua história moderna, com hiperinflação e escassez de alimentos e medicamentos.

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