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Theresa May vai deixar para o Parlamento decisão de adiar Brexit

May já deixou claro que, pessoalmente, não concorda com adiar a data de saída do Reino Unido da União Europeia - Getty Images
May já deixou claro que, pessoalmente, não concorda com adiar a data de saída do Reino Unido da União Europeia Imagem: Getty Images

26/02/2019 14h24

A primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciou nesta terça-feira aos deputados que deixa para eles a decisão de adiar a data do Brexit por "um período curto e limitado" se rejeitarem o acordo de separação assinado com a União Europeia (UE) e se negarem a sair sem nenhum tipo de acordo.

May reiterou que pessoalmente se opõe a este adiamento e salientou que, em qualquer caso, não pode ir além de junho, pois, caso contrário, o Reino Unido terá que participar nas eleições para o Parlamento Europeu agendadas para o final de maio.

A dramática decisão de May em relação a sua estratégia em prol do Brexit acontece depois de ameaças de renúncia em massa de seus próprios ministros e o pedido de um segundo referendo sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia feito pelo Partido Trabalhista, principal da oposição.

A líder britânica disse ao Parlamento que ofereceria aos legisladores a opção de votar em 14 de março uma extensão "curta e limitada" do prazo programado para 29 de março.

"Quero ser muito clara: não quero ver uma extensão do Artigo 50", disse ela, referindo-se a um procedimento da UE que colocou o Brexit em andamento há dois anos.

"Nosso foco deve ser trabalhar para chegar a um acordo e nos retirarmos em 29 de março", afirmou.

- Sequência de votações -May delineou um procedimento de três etapas para o Parlamento votar um novo plano em 12 de março.

A derrota dessa proposta abriria caminho para uma nova votação, a ser realizada no dia seguinte, dia 13, sobre a saída britânica da UE sem um acordo.

"O Reino Unido só se retirará sem um acordo em 29 de março se houver um acordo explícito" no Parlamento, comentou.

Portanto, a derrota da opção de saída sem acordo permitiria que May votasse no dia 14 a opção de deixar para nas mãos do Parlamento a possibilidade de acordar uma extensão limitada à data fatídica do dia 29.

Para May, é necessário que o Parlamento mantenha em cima da mesa a possibilidade de aceitar uma saída sem acordo.

No entanto, suas tentativas de diálogo com as autoridades europeias não prosperaram e o Reino Unido está se aproximando de uma ruptura complicada que pode criar caos nos mercados e fronteiras globais.

Por esta razão, três ministros literalmente "imploraram" May para alterar fundamentalmente sua abordagem para a realização do Brexit.

Os ministros da Indústria, Richard Harrington, Digital, Margot James, e da Energia, Claire Perry, "imploram" à chefe de governo que se comprometa a estender o Artigo 50 do Tratado da UE que define a saída do bloco de um dos seus membros, se não for alcançado um acordo a tempo no Parlamento.

"Esse compromisso seria recebido com alívio pela grande maioria dos deputados, empresas e seus funcionários", escreveram os ministros favoráveis à permanência na UE, em coluna publicada no Daily Mail.

Se May não prometer esta semana, os três membros do governo ameaçaram renunciar "para evitar um desastre".

Segundo o jornal, outros 15 membros do governo estariam dispostos a renunciar para evitar um "não acordo".

"Conforme o Dia D se aproxima, achamos que é nosso dever fazer algo para evitar uma catástrofe", disse Margot James à BBC.

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, disse na segunda-feira que falou com May "sobre o contexto legal" de uma possível prorrogação da data do Brexit, marcada para 29 de março.

"Acho que, dada a situação em que estamos, um prazo suplementar seria uma solução razoável", disse Tusk em entrevista coletiva em Sharm el-Sheikh, no Egito.

Mas "a primeira-ministra May ainda acredita que ela pode evitar esse cenário", acrescentou.

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