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Nicarágua liberta dezenas de presos antes de diálogo entre governo e oposição

27/02/2019 12h42

Manágua, 27 Fev 2019 (AFP) - A justiça nicaraguense libertou nesta quarta-feira dezenas de presos que participaram nos protestos contra o governo de Daniel Ortega antes do início das negociações entre o governo e a oposição, informou uma agência humanitária.

A libertação dos presos ocorreu sob sigilo das autoridades, que não revelaram quem foi libertado nem para onde foram levados, informou à AFP o presidente da Comissão Permanente de Direitos Humanos (CPDH), Marcos Carmona.

Imagens divulgadas nas redes sociais por familiares permitiram reconhecer que alguns detentos estavam nos veículos usados para transporte dos libertados, como o maratonista Alex Vanegas.

Os presos libertados agitavam bandeiras, cantaram o hino do país e gritavam "Viva a Nicarágua".

Familiares dos detentos passaram a noite diante do presídio de La Modelo, 20 km a leste de la capital, depois que circularam rumores da libertação.

Organismos de direitos humanos calculam que mais de 750 pessoas se encontram detidas em várias prisões do país por participar nos protestos de abril do ano passado contra o governo de Daniel Ortega.

Os relatórios denunciam que os presos se encontram em condições insalubres, isolados e submetidos a maus-tratos.

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia (ACDJ) estabeleceu como prioridade a libertação de todos os detidos para avançar nas negociações com o governo, bem como a restauração da liberdade de expressão.

O governo e a oposição na Nicarágua voltaram na quarta-feira à mesa de negociações em busca de uma saída para a grave crise política, em um país altamente polarizado, com uma economia deteriorada e sob ameaça de sanções estrangeiras.

O primeiro encontro foi para conhecer as propostas, as condições da negociação e para acordar a metodologia do processo, segundo informou a equipe de negociação da ACJD.

O grupo de oposição, formado por empresários, estudantes, camponeses e entidades da sociedade civil, pretende propor a participação no encontro de "organismos internacionais", como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e as Nações Unidas, acrescentou Solís.

O governo não revelou quais temas apresentou na negociação, apesar de o presidente, Daniel Ortega, ao convocar a nova negociação, ter centrado seu interesse na recuperação econômica.

Desde 18 de abril de 2018, o país centro-americano vive com constantes protestos contra o governo de Ortega, um dos ex-comandantes da Revolução Nicaraguense de 1979.

Os manifestantes defendem a renúncia do dirigente, reclamam das privações de liberdade, das perseguições, da repressão e da violência. A Igreja Católica buscou intermediar um acordo, mas o esforço foi interrompido por uma divergência com o ex-revolucionário.

O anúncio dos diálogos foi feito por Ortega na quinta-feira passada, durante um ato de comemoração por ocasião dos 85 anos da morte do líder nacionalista Augusto Sandino, ante membros do gabinete, do Exército, da Polícia e seguidores.

A convocação para os diálogos ocorre em um momento em que o governo enfrenta uma profunda crise financeira, com déficit de 315 milhões de dólares, sem fontes de financiamento que normalmente eram pagos com doações e créditos de organismos multilaterais.

Os confrontos entre governo e oposição deixaram até o momento um saldo de 325 mortos, mais de 700 detidos e milhares de exilados.

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