PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Novas evacuações no último reduto do grupo EI na Síria

27/02/2019 19h08

Cerca de Baghuz, Siria, 27 Fev 2019 (AFP) - A bordo de caminhões, homens, mulheres e crianças deixaram nesta quarta-feira (27) o último reduto do grupo extremista Estado Islâmico (EI) no leste da Síria, sob a supervisão das forças curdo-árabes, que esperam o fim destas operações de saída para fazer o ataque final às ruínas do "califado" jihadista.

Nos últimos dias, homens, mulheres e crianças aos prantos, entre os quais muitos estrangeiros, continuam fugindo aos milhares do pequeno bolsão mantido pelo EI no povoado de Baghuz, nos confins do leste sírio, perto da fronteira com o Iraque.

Depois de semanas sofrendo privações privações no reduto jihadista, os evacuados chegam famintos a uma posição das Forças Democráticas Sírias (FDS) perto de Baghuz. A aliança árabe-curda os registra e submete a interrogatórios para identificar eventuais jihadistas misturados em meio à multidão.

Alguns em muletas ou em cadeiras de rodas, há centenas de feridos, vítimas dos bombardeios ou da explosão de minas. Eles recebem pão, água, leite e inclusive fraldas.

Na quarta-feira, 15 caminhões com centenas de pessoas chegaram à posição das FDS, informou uma jornalista da AFP. Trata-se da quinta evacuação deste tipo em uma semana.

O número de pessoas a bordo dos últimos caminhões era menor que o de dias anteriores, constatou a jornalista. Nada indicava as razões para este declínio.

Mas, segundo estimativa das FDS, milhares de pessoas ainda poderiam estar no bolsão jihadista de menos de meio quilômetro quadrado, com casas semidestruídas e um acampamento improvisado adjacente.

Apoiadas pela coalizão internacional liderada por Washington, as FDS esperam a liberação dos últimos civis, principalmente mulheres e filhos dos jihadistas, para retomar sua ofensiva final contra o reduto.

Imagens exclusivas da BBC, captadas da parte iraquiana da fronteira, mostravam nesta quarta-feira o que resta de Baghuz: à frente de edificações semidestruídas é possível ver barracas precárias confeccionadas com cobertores coloridos, erguidos junto a árvores completamente secas.

A roupa de cama se seca pendurada em cordas e é possível ver mulheres em niqab (véu integral) atarefadas junto a seus refúgios, enquanto um homem vestido de preto, possivelmente um jihadista, passa correndo.

Desde dezembro, quase 50.000 pessoas, a maioria famílias de jihadistas, abandonaram o reduto do EI, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Entre eles haveria mais de 5.000 combatentes, afirma o OSDH.

No âmbito destas evacuações, os homens suspeitos de pertencer ao EI permanecem detidos. As mulheres e crianças, inclusive familiares dos jihadistas, são transferidos a campos de deslocados no nordeste sírio.

Internacional