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Internacional

Opositor venezuelano Juan Guaidó chega ao Brasil e se reunirá com Bolsonaro

28/02/2019 13h15

Brasília, 28 Fev 2019 (AFP) - O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, busca nesta quinta-feira reforçar o apoio do Brasil, um dos países que o reconheceu como presidente interino, mas que rejeita uma opção militar como saída para a crise na Venezuela, antes de retornar ao seu país, onde pode ser preso.

Guaidó chegou esta madrugada em Brasília em um voo da Força Aérea da Colômbia. Ele se reuniu na parte da manhã com diplomatas europeus e será recebido no período da tarde pelo presidente Jair Bolsonaro, antes de uma coletiva de imprensa.

O vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão, afirmou em entrevista à Globo que Guaidó "quer mostrar ao povo venezuelano que está sendo recebido pelo presidente da República do Brasil, um país limítrofe pelo qual os venezuelanos têm um carinho especial. Ele quer passar a mensagem de que é reconhecido".

A equipe de Guaidó estuda a possibilidade de uma visita a Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela.

O jovem líder opositor deve deixar o Brasil na sexta-feira, mas ainda não há informações sobre qual será o seu próximo destino, apesar de ter reiterado várias vezes que voltará a Caracas, onde poderá ser detido pelo governo de Nicolás Maduro, devido a uma ordem judicial.

Os países que não reconhecem o presidente Nicolás Maduro alegam que sua releição foi fraudulenta. Diante dese cenário, Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, se autoproclamou em 23 de janeiro como governante interino.

Os Estados Unidos submeterão a votação no Conselho de Segurança da ONU nesta quinta-feira um projeto de resolução que exige eleições presidenciais na Venezuela e entrada "sem exigências" da ajuda humanitária com alimentos e remédios.

Contudo, o chanceler chavista Jorge Arreaza pediu nesta quarta-feira uma reunião entre Maduro e Trump, mas o vice-presidente americano, Mike Pence, rechaçou essa possibilidade.

"A única coisa para ser discutida com Maduro neste momento é a hora e a data de sua saída", escreveu no Twitter Pence, acrescentando a hashtag em espanhol #VenezuelaLibre".

Durante a semana, Guaidó reiterou que para derrotar Maduro todas as opções deveriam estar sobre a mesa, uma posição que deixou em claro Pence durante a reunião do Grupo de Lima.

"Creio que Guaidó esperava que se desse um espaço para deixar implícito a Nicolás Maduro que a possibilidade era real", acrescentou Rodríguez.

- Volta a Caracas - Guaidó tem insistido em regressar esta semana a Caracas para exercer suas "funções", apesar da possibilidade de ser preso. Na segunda-feira, a Colômbia denunciou "sérias e críveis ameaças" contra Guaidó e responsabilizou o governo "usurpador" por isso.

Maduro disse que Guaidó deverá responder diante da justiça por burlar a lei.

"Um preso não ajuda ninguém, tão pouco um presidente exilado. Estamos numa zona inédita (...) E minha função e meu dever é estar em Caracas apesar dos riscos, apesar de todas as implicações", disse o opositor.

Seus simpatizantes anunciaram que se mobilizarão para recebê-lo na próxima sexta na capital venezolana. A cidade também será palco de manifestações de grupos leais ao chavismo.

Contudo, Guaidó não definiu a data de retorno e nem se voltará diretamente do Brasil.

Segundo Rodríguez, Guaidó não tem como não retornar ao país para liderar a oposição.

"A realidade é que muitos começam a sentir que o momento apropriado está passando, e sabem se isso acontecer, não será fácil se livrar de Nicolás Maduro", acrescentou Rodríguez.

- Fronteiras restringidas -Apesar de não existir um alto risco de prisão para Guaidó, o líder opositor aposta que Maduro se abstenha desta iniciativa num momento em que o país está sob a atenção do mundo, avaliou o analista.

A Venezuela está mergulhada em uma severa escassez de alimentos e remédios, que gerou o êxodo de 2,7 milhões de pessoas para países da região desde o agravamento da crise em 2015.

Para Maduro, esta crise é consequência do bloqueio financeiro aplicado por Washington. Também garante que o envio da ajuda humanitária patrocinada por Donald Trump esconde um plano de intervenção militar na Venezuela.

A tentativa de entrega no fim de semana de alimentos e remédios através das fronteiras com o Brasil e Colômbia, fechadas do lado venezuelano, terminou em confrontos que deixaram quatro mortos.

A Colômbia reabriu seu lado da fronteira nesta quarta-feira, mas com restrições, devido aos confrontos entre venezuelanos que tentam entrar no país e a Guarda Nacional Bolivariana de Maduro.

As autoridades migratórias indicam que 326 membros das forças armadas de Venezuela que desertaram e foram para a Colômbia.

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