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Crise na Caxemira: Paquistão libertará piloto indiano como gesto de paz

28.fev.2019 - Estudantes indianos pedem por uma rápida liberação do piloto da Força Aérea da Índia, Abhinandan Varthaman, em uma escola em Ahmedabad - SAM PANTHAKY / AFP
28.fev.2019 - Estudantes indianos pedem por uma rápida liberação do piloto da Força Aérea da Índia, Abhinandan Varthaman, em uma escola em Ahmedabad Imagem: SAM PANTHAKY / AFP

28/02/2019 12h27

O Paquistão libertará amanhã como um "gesto de paz" em relação à Índia o piloto da Força Aérea indiana capturado ontem, informou o primeiro-ministro Imran Khan, após três dias de grave crise entre as duas potências nucleares.

"Como um gesto de paz, vamos liberar o piloto indiano [amanhã]", declarou Imran Khan no parlamento, aplaudido em voz alta.

O Exército paquistanês afirmou na quarta-feira ter capturado o piloto depois de abater dois aviões indianos em seu espaço aéreo, um dos quais caiu no lado paquistanês da fronteira da Caxemira.

O Paquistão postou imagens do piloto, o tenente-coronel Abhinandan Varthaman, e afirmou que foi bem tratado.

Nova Délhi, por sua vez, reconheceu ter perdido um Mig-21 em confrontos e exigiu o "retorno imediato e seguro" de seu piloto, que se tornou um herói em seu país.

Nesta quinta-feira, um oficial indiano enfatizou que seu país aumentou sua vigilância sobre o Paquistão, apesar do anúncio da libertação do do piloto.

"Estamos totalmente preparados e temos capacidade de resposta a qualquer provocação do Paquistão", afirmou o major Surendra Singh Mahal em uma coletiva de imprensa em Nova Délhi.

Inimigo da Índia

O primeiro-ministro indiano Narendra Modi usou um tom menos conciliatório na manhã de hoje no Paquistão, denunciando o "inimigo que tenta desestabilizar a Índia".

Modi aspira a um segundo mandato nas eleições de abril e maio e está sob pressão do público indiano para ser inflexível contra o Paquistão.

Os pedidos de vingança e represálias se multiplicaram na Índia desde o atentado suicida que matou 40 paramilitares na Caxemira indiana em 14 de fevereiro e que foi reivindicado por um grupo islamito baseado no Paquistão, o Jaish e Mohammed (JeM).

A crise começou na terça-feira, quando aviões da Força Aérea indiana entraram no espaço aéreo paquistanês para um "ataque preventivo" contra o que Nova Délhi apresentou como um grande campo de treinamento para o JeM.

Continuou na quarta-feira com incursões de aeronaves dos dois países e o anúncio da perda de aeronaves e a captura do piloto.

Diante disso, "o perigo real é que a crise escape do controle dos dois governos", declarou Richard Gowan, da Universidade das Nações Unidas, em Nova York.

"Existe o risco de outro ataque terrorista ou que um surto de violência comunitária dificulte uma solução diplomática", disse ele.

De Hanói, onde se reuniu com o líder norte-coreano Kim Jong-un, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse "esperar que (a crise) termine".

"Recebemos, penso eu, notícias razoavelmente atraentes do Paquistão e da Índia", disse Trump. "Nós tentamos fazer que os dois países detenham" suas ações, acrescentou.

Estado de alerta

No Paquistão, a situação continua tensa. As autoridades reforçaram a segurança e os hospitais estavam em alerta para qualquer eventualidade.

O espaço aéreo, fechado na véspera até nova ordem devido às tensões geopolíticas, continuava na mesma situação esta quinta-feira e por isso dezenas de voos foram cancelados no país.

Os militares indicaram que se encontravam em alerta máximo na Caxemira para repelir toda a agressão indiana ao longo da Linha de Controle, fronteira com a Caxemira indiana.

"As forças indianas multiplicaram as violações do cessar-fogo nas últimas 48 horas em vários setores próximos à Linha de Controle e dispararam deliberadamente contra civis", segundo a mesma fonte.

Índia e Paquistão travaram três guerras, duas delas por causa de Caxemira, uma região das montanhas do Himalaia com uma maioria muçulmana dividida entre os dois países que reivindicaram a soberania desde a independência em 1947.

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