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DUP norte-irlandês, uma pedra no sapato de Theresa May

12/03/2019 12h19

Londres, 12 Mar 2019 (AFP) - O Partido Unionista Democrático (DUP) da Irlanda do Norte é um aliado-chave, mas incômodo, para a primeira-ministra Theresa May, porque se nega a apoiar o acordo do Brexit conforme negociado na União Europeia (UE).

Este partido pró-Brexit e ultraconservador rejeita que a Irlanda do Norte seja tratada de maneira diferente do restante do Reino Unido. A sigla teme que, em longo prazo, isso signifique uma separação da província britânica, ou, ainda pior aos olhos do DUP, uma reunificação da Irlanda.

Por isso, os deputados do partido unionista se opõem totalmente ao chamado "backstop". Esse mecanismo previsto no acordo de retirada da UE manteria o Reino Unido na união aduaneira com a UE e, assim, a Irlanda do Norte ficaria mais alinhada com as normas do bloco.

Este mecanismo busca evitar a reintrodução de uma fronteira física entre Irlanda, um país da UE, e a província britânica, além de preservar o acordo de paz da Sexta-feira Santa de 1998.

Em janeiro, o DUP rompeu o pacto com os conservadores e votou contra o acordo de retirada. Exige que o "backstop" seja retirado do acordo, ou limitado no tempo, ou ainda que o Reino Unido tenha a possibilidade de se retirar unilateralmente desse dispositivo.

O DUP é a única sigla norte-irlandesa em Westminster. Os deputados do Sinn Fein, partidários de uma Irlanda unida, negam-se a estar no Parlamento, porque o consideram uma instituição ilegítima.

Por isso, os dez deputados do DUP são um apoio indispensável para que May possa ter a maioria absoluta que seu partido conservador perdeu nas legislativas de 2017.

May conseguiu o apoio do DUP em troca de um orçamento suplementar de 1 bilhão de libras (1,1 bilhão de euros) em dois anos para a Irlanda do Norte. O acordo foi criticado até mesmo pelos Tories, preocupados com as posições radicais do DUP.

- Extrema direita -Criado em 1971 pelo pastor fundamentalista Ian Paisley em pleno conflito norte-irlandês, o DUP se opõe ao aborto, proibido na Irlanda do Norte. Neste caso, a única exceção é quando há risco de morte para a mãe. A sigla se opõe ainda ao casamento gay, autorizado no restante do Reino Unido e na Irlanda.

Vários membros do DUP, adeptos do criacionismo, também disseram ser favoráveis à pena de morte e puseram em dúvida a mudança climática.

Este partido, o primeiro na Irlanda do Norte, é dirigido por Arlene Foster, cujo pai, um policial, levou um tiro na cabeça durante o conflito com a Irlanda do Norte, alvo dos paramilitares do Exército Republicano Irlandês (IRA).

O DUP perdeu terreno nas eleições regionais de 2017 em favor do Sinn Fein. Mesmo quando têm objetivos totalmente opostos, os dois partidos são obrigados a se entender para formar um governo de coalizão, após os acordos de paz de 1998.

Os acordos da Sexta-Feira Santa puseram fim a 30 anos de um conflito entre católicos nacionalistas e protestantes unionistas que deixou mais de 3.000 mortos.

Na época, o DUP se opôs a esses acordos, amplamente aprovados em um referendo. Depois disso, porém, o partido protestante moderou suas posições anticatólicas.

As divergências ainda são muitas. O DUP faz campanha a favor do Brexit - o que não impediu que a Irlanda do Norte o rejeitasse com 56% na consulta popular de junho de 2016 -, enquanto o Sinn Fein é contra.

O governo de coalizão se rompeu em janeiro de 2017, com acusações contra Arlene Foster sobre sua gestão de um programa de subsídios às energias renováveis.

Desde então, os dois partidos não conseguiram chegar a um acordo para formar uma nova coalizão. Por enquanto, Londres assume a gestão da província.

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