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Internacional

Três mil combatentes do grupo Estado Islâmico, se rendem na Síria

12/03/2019 20h24

Baghuz, Síria, 12 Mar 2019 (AFP) - Cerca de três mil combatentes do grupo Estado Islâmico (EI), se renderam nesta terça-feira (12) às Forças Democráticas Sírias (FDS), que atacam seu último reduto no leste da Síria, informou um porta-voz das FDS.

"O número de combatentes do Daesh [acrônimo em árabe do EI] que se renderam desde ontem [na segunda-feira] na tarde chega a 3.000. Três mulheres yazidis e quatro crianças também foram resgatadas", reportou o porta-voz, Mustefa Bali, no Twitter.

De acordo com o porta-voz das FDS, Adnane Afrine, os evacuados estão sendo transferidos do vilarejo de Baghuz, na província de Deir Ezzor, para um posto de controle da coalizão curdo-árabe.

Após uma noite de intensos bombardeios, um precário acampamento de tendas é tudo o que resta do "califado" autoproclamado pelo EI em 2014 em vastos territórios na Síria e no Iraque.

As FDS lançaram em dezembro a ofensiva final contra este reduto, mas a suspendeu várias vezes para permitir a evacuação de civis e combatentes.

No domingo, retomaram a ofensiva. Após duas noites de bombardeios, muitos jihadistas se renderam.

Nesta manhã, a calma prevalecia na região. Os aviões sobrevoavam as posições sem realizar bombardeios, constatou a AFP.

"A operação militar continua, mas desacelera durante o dia", afirmou à AFP um comandante das FDS.

- 'Violentos' combates -Os combates em terra provocaram na segunda-feira a morte de 40 jihadistas e de três combatentes das FDS, segundo um porta-voz da força árabe-curda, Mustefa Bali.

Os aviões da coalizão anti-jihadista liderada pelos Estados Unidos bombardearam a área e destruíram veículos blindados e depósitos de armas, segundo Bali.

Ali Sher, comandante de uma unidade das FDS, participou com três grupos de homens de seu batalhão de "violentos" combates na segunda à noite.

Ele explicou que a tática de priorizar ações noturnas foi adotada porque durante a noite "os aviões da coalizão visam tudo o que se move, enquanto que aqueles que se rendem o fazem de manhã. Então, interrompemos nossos disparos para que se rendam", afirmou.

Cerca de 59.000 pessoas já deixaram Baghuz desde dezembro, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

A maioria foi levada ao campo de deslocados de Al Hol (noroeste), onde vivem atualmente mais de 66.000 pessoas, segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

"Os últimos que chegaram (...) estão fisicamente pior", acrescentou.

Desde dezembro, 113 pessoas - das quais dois terços com menos de cinco anos - morreram a caminho ou pouco depois de chegara ao acampamento, segundo a organização.

- 'Qual é o nosso crime?' -Diante de sua iminente derrota em Baghuz, o EI enviou uma mensagem aos jihadistas entrincheirados na última fortaleza do grupo no leste da Síria pedindo para que resistam ao cerco porque "a batalha não acabou".

O vídeo, publicado nas mensagens do Telegram e intitulado "The Sense of Perseverance", mostra quatro homens conversando.

Como pano de fundo, é possível ver imagens da última fortaleza do grupo na cidade de Baghuz, no leste da Síria.

"Embora tivéssemos vários milhares de quilômetros e tenhamos agora poucos quilômetros restantes e que digam que perdemos (...) Deus tem outros critérios", afirma um homem com um kufiya preto e branco, que se diz chamar Abu Abdel Athim.

"Eles cortam as estradas e nos colocam sob cerco, mas o caminho de Deus está aberto (...) a batalha não acabou", continua ele, cercado por dois homens e um menino vestido com uma jaqueta com capuz.

O vídeo é datado no mês de "Rayab 1440", que começa na sexta-feira de acordo com o calendário islâmico.

"Por que os aviões estão nos bombardeando? Por que todas as nações do mundo infiel se unem para lutar contra nós?", pergunta o homem que introduz vários versos do Alcorão em seu discurso.

"Qual foi o nosso erro? Qual é o nosso crime? Queremos aplicar a lei de Deus", acrescenta o jihadista.

"Não tenham medo", afirma outro homem.

Ao fundo, é possível ouvir explosões ao longe, seguidas do barulho de um avião.

O vídeo também mostra imagens de distribuição de sopa nos acampamentos do EI, bem como homens, mulheres e crianças que andam entre as barracas, caminhões e motocicletas em meio ao caos.

O vídeo não pôde ser autenticado, mas essas cenas são semelhantes às vistas por jornalistas da AFP no último reduto da EI durante os últimos dias.

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