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Multidão se despede de vítimas de Suzano em velório coletivo

2019-03-14T21:52:00

14/03/2019 21h52

Suzano, Brasil, 15 Mar 2019 (AFP) - Uma multidão se despediu nesta quinta-feira (14) dos mortos no massacre cometido na véspera por dois ex-alunos em um colégio em Suzano, na região metropolitana de São Paulo, que mataram oito pessoas e deixaram 11 feridos.

Milhares de pessoas passaram emocionadas pelo velório coletivo na Arena Suzano, cidade situada a 50 km de São Paulo, em choque desde que os ex-alunos Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, invadiram a escola estadual Raul Brasil, matando a tiros e golpes de arma branca cinco estudantes e duas funcionárias.

Segundo a Polícia, depois do ataque brutal, o mais jovem matou o mais velho e se suicidou.

Antes de invadir a escola, Guilherme já tinha feito uma vítima: seu tio Jorge Antônio de Moraes, dono de uma locadora de carros e lava-jato. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital.

Os corpos de quatro jovens, com idades entre 15 e 17 anos, e das duas funcionárias, de 38 e 59, foram velados em uma quadra transformada em centro fúnebre por várias coroas de flores.

A despedida contou com milhares de pessoas, entre alunos da escola, amigos, vizinhos e autoridades.

Devastados pela dor, os familiares se abraçaram e choraram ao lado dos caixões durante um velório aberto ao público por oito horas, antes do cortejo até o cemitério onde foi enterrada a maioria das vítimas.

Outro dois estudantes e Jorge Moraes foram enterrados em cerimônias separadas.

Os assassinos foram sepultados em cerimônias íntimas e com reforço policial, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

Apesar de ainda não se saber qual foi a motivação dos atacantes - amantes de videogames que entraram na escola armados com um revólver calibre 38, um machado, coquetéis molotov, uma besta e um arco profissional -, à medida que as horas passam mais detalhes sobre o massacre aparecem.

O vídeo de uma das câmeras de segurança da escola difundido pela Band mostra imagens arrepiantes em que se vê um dos assassinos entrando no prédio com um boné, antes de tirar a arma da cintura e atirar com frieza na direção de um grupo de alunos que conversava na entrada, matando vários deles.

Ato contínuo, entra o segundo jovem, que ataca com o machado os feridos a bala caídos no chão antes de um grupo de estudantes apavorados passar por ele, correndo para fugir do outro agressor, que já estava no pátio.

O ataque é incomum no Brasil, onde se discute se este tipo de violência pode ser atribuída à influência de imagens de ataques similares em escolas e universidades dos Estados Unidos ou à defesa do porte de armas de fogo pelo presidente Jair Bolsonaro, que recentemente flexibilizou sua posse, atendendo a uma reivindicação da bancada da bala, uma de suas bases de sustentação no Congresso.

- "Deep web" -O Ministério Público investiga se os assassinos agiram sob influência de alguma organização criminosa ligada a sites violentos da 'deep web', que supostamente frequentavam.

Um destes espaços, conhecido como Dogolachan, já foi alvo de operações das autoridades e um de seus criadores, condenado a 40 anos de prisão por crimes como associação criminosa para cometer racismo, divulgação de pedofilia e incitação ao terrorismo, segundo o site G1.

"Temos notícias de que os assasinos se comunicavam pela 'deep web' com outras pessoas. Isto deve ser investigado para verificar se há uma organização criminosa por trás da ação que realizaram", disse o Procurador Geral de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, segundo o qual os agressores planejavam o ataque há um ano.

No final da tarde, a polícia procurava um terceiro jovem suspeito de participar do planejamento do massacre.

O governador de São Paulo, João Doria, anunciou que pagará uma indenização de 100 mil reais aos familiares das vítimas que decidirem não processar o Estado.

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