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Internacional

Premiê britânica faz reunião com ministros por crise do Brexit

19/03/2019 13h25

Londres, 19 Mar 2019 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, enviará uma carta à União Europeia (UE) nesta terça, ou quarta-feira, pedindo um adiamento do Brexit, ainda que não pareça ter descartado voltar a apresentar aos deputados o acordo duas vezes rejeitado.

May "escreverá para Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu (...) em relação a uma extensão do Artigo 50", que fixa a saída britânica da UE para 29 de março, disse à imprensa um porta-voz de Downing Street, ao fim da reunião do Conselho de Ministros nesta terça.

Segundo o jornal "The Sun", May deve pedir a Tusk um adiamento de nove a 12 meses.

Se o pedido for aceito - e precisa ser com a unanimidade de todos seus membros -, isso implicará que o Reino Unido participará das eleições europeias de maio, quase três anos depois do referendo que decidiu pelo Brexit. Para muitos, essa situação será considerada um completo fracasso.

Um longo adiamento também pode levar à organização de um segundo referendo por parte dos defensores de permanecer no bloco europeu e pode acabar arruinando todo o processo.

Embora o texto que ela negociou com a UE tenha sido categoricamente rejeitado em janeiro e novamente na semana passada, e apesar de ter "garantias adicionais" por parte de Bruxelas, May ainda esperava que fosse adotado pelo Parlamento britânico antes de 29 de março, data prevista para o Brexit.

A decisão tomada ontem pelo presidente da Câmara, John Bercow, segundo a qual o texto a ser submetido à nova votação deveria ser "substancialmente diferente", complicou seus planos, porém.

- UE quer explicações -Segundo o deputado conservador Oliver Letwin, "se o governo finalmente conseguir uma maioria a favor do acordo, então votaríamos sobre uma mudança na ordem do dia, o que representaria um mandato para que o presidente da Câmara o permita".

Além disso, na opinião de alguns constitucionalistas, se a UE aceitar uma extensão, isso poderia constituir a mudança "substancial" reivindicada por Bercow.

Assim, a dramática decisão do presidente dos Comuns simplesmente atrasaria um pouco mais um processo que se arrasta há meses, provocando crescente irritação dos parceiros europeus.

De Berlim, a chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar disposta a "lutar até o último minuto" para que o Reino Unido saia da UE de forma ordenada. "Não temos muito tempo, mas ainda nos restam alguns poucos dias", completou.

"O tempo está acabando. Estamos realmente esgotados com estas negociações. Isso não é um jogo, é uma situação muito séria", afirmou o ministro alemão para Assuntos Europeus, Michael Roth, ao chegar para a reunião com seus colegas em Bruxelas.

"A incerteza é insuportável", afirmou sua colega francesa Nathalie Loiseau, que disse esperar pela "decisão dos britânicos sobre o que querem, sobre o que propõem para sair do ponto morto em que estão por sua própria decisão".

"Se o Reino Unido quiser repensar o futuro relacionamento [com a UE], estamos dispostos a discutir isso", reconheceu Nathalie.

Para a França, um adiamento do Brexit não é "nem evidente, nem automático", e Londres deve apresentar uma "alternativa crível nos próximos dias, ou nas próximas horas".

O ministro Roth assegurou que a prioridade de seu governo é "evitar um cenário de Brexit sem acordo", já que isso seria "a pior situação para os habitantes do Reino Unido e também para os outros 27 países europeus".

O porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, recusou-se a comentar o procedimento parlamentar britânico, mas pediu a May que "decida os próximos passos" e informe a UE "com rapidez".

De Dublin, Tusk e o premier Leo Varadkar "concordaram em que, agora, devemos ver que propostas surgem de Londres antes da reunião do Conselho Europeu em Bruxelas na quinta-feira", segundo um comunicado do governo irlandês.

Enquanto isso, "prosseguem os preparativos para um Brexit sem acordo, que teria graves consequências para todos os interessados".

A incerteza paira agora sobre os próximos passos da chefe de governo britânico, faltando apenas dez dias para o Brexit.

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