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Guaidó diz que não se intimidará com prisão de seu chefe de gabinete

4.mar.2019 - Juan Guaidó discursa em Caracas logo após sua chegada ao país - FEDERICO PARRA/AFP
4.mar.2019 - Juan Guaidó discursa em Caracas logo após sua chegada ao país Imagem: FEDERICO PARRA/AFP

21/03/2019 15h36

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, disse nesta quinta-feira (21) que não será intimidado pela prisão de seu chefe de gabinete, Roberto Marrero, que ele considera uma demonstração de fraqueza do presidente Nicolás Maduro porque ele não pode ser preso.

"É um sequestro vil, vulgar, que busca nos intimidar", mas "não vão nos tirar do caminho que traçamos", declarou Guaidó em coletiva de imprensa após a prisão de Marrero.

Agentes de Inteligência prenderam Marrero, chefe de gabinete de Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por mais de 50 países, o que causou uma onda de críticas, como do governo americano, que exigiu sua libertação imediata.

"Sequestraram @ROBERTOMARRERO, chefe do meu gabinete. Ele denunciou a viva voz que plantaram (na casa dele) dois fuzis e uma granada", tuitou Guaidó, exigindo que seja "solto imediatamente".

Em tom desafiador, o chefe do Parlamento responsabilizou Maduro pela prisão e afirmou que o "regime mostra muita fraqueza" ao acreditar que vai "infundir medo" ou "desmobilizar" a oposição.

"Como não podem prender o presidente interino, prendem os mais próximos", acusou.

Marrero foi detido na madrugada por agentes do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), após batidas em sua casa e na residência do deputado da oposição Sergio Vergara, que mora perto, no setor Las Mercedes, na capital.

Segundo Guaidó, líder do Parlamento de maioria opositora, o procedimento começou às 2h locais (3h em Brasília) e se desconhece o paradeiro de seu colaborador. O próprio Guaidó chegou a ser detido em 13 de janeiro passado, sendo solto uma hora depois.

"Neste momento, está entrando na casa do deputado Vergara e na minha casa um grupo forte do Sebin (...), estão derrubando a parede", disse Marrero em um áudio gravado durante a operação e divulgado nas redes sociais. Ao fundo, ouvem-se pancadas.

Quando foi levado preso, "gritou que plantaram dois fuzis e uma granada em sua casa. Eles (os funcionários do Sebin) o mandaram calar a boca e eu lhe disse que tivesse muita força", declarou Vergara à imprensa.

Condenação dos EUA

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, condenou o episódio e exigiu a "libertação imediata" de Marrero. "Exigiremos responsabilidades dos envolvidos", tuitou Pompeo.

O Grupo Lima, que inclui doze países da América Latina e Canadá, exigiu "libertação imediata" de Marrero.

"Consideramos o regime de Maduro responsável pela segurança e integridade pessoal dos senhores Roberto Marrero e Sergio Vergara, e exigimos que se ponha fim ao assédio aos democratas venezuelanos e às práticas sistemáticas de detenção arbitrária e tortura", disse o texto assinado pela Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Peru.

Vergara contou que, durante a batida, cerca de 15 agentes "violentaram" sua casa, ao mesmo tempo em que o questionavam sobre a localização de Marrero, um advogado que trabalhou na Assembleia Nacional (Parlamento).

Durante a operação, que durou cerca de duas horas, dois procuradores estiveram presentes, completou.

"Começaram a bater na casa de Roberto Marrero, que fica a não sei quantos metros da minha porta, até que conseguiram entrar", relatou.

Um motorista que trabalha para ele também foi detido.

"A ditadura continua sequestrando os cidadãos", afirmou Vergara, que garantiu ter dito aos agentes que Marrero tem imunidade parlamentar.

A Organização das Nações Unidas (ONU) pediu nesta quinta-feira a "todas os atores na Venezuela" que reduzam as tensões após a prisão do chefe de gabinete de Juan Guaidó, que liderou os Estados Unidos para exigir sua libertação imediata.

Paralelamente, a União Europea (UE) pressionou pela liberação "imediata" de Marrero e responsabilizou as autoridades venezuelanas por "sua segurança e integridade".

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