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May retorna a Londres decidida a lutar por seu acordo do Brexit

22/03/2019 10h28

Londres, 22 Mar 2019 (AFP) - A primeira-ministra britânica, Theresa May, retorna nesta sexta-feira a Londres, depois de obter uma adiamento condicional do Brexit em Bruxelas, com a promessa de fazer "todos os esforços possíveis" para que o Parlamento aprove seu polêmico acordo de divórcio com a UE.

"Voltarei ao Reino Unido e trabalharei arduamente para construir o apoio necessário para que o acordo seja aprovado", afirmou a líder conservadora britânica depois que os líderes dos outros 27 países aceitaram modificar o calendário de saída.

De acordo com o plano inicial, o Reino Unido deveria abandonar o bloco dentro de uma semana, em 29 de março.

Mas o Tratado de Retirada, um documento de 585 páginas que May negociou durante um ano e meio com Bruxelas, foi rejeitado duas vezes pelos deputados britânicos - em janeiro e na semana passada -, deixando o Reino Unido à beira de uma saída brutal, com potenciais consequências dramáticas para a economia.

Para tentar ajustar a situação caótica, na quinta-feira à noite a UE concedeu a May dois meses de oxigênio.

O Conselho Europeu aceitou o adiamento do Brexit para 22 de maio, um dia antes das eleições europeias. Mas, com o temor de que isto sirva para prolongar a paralisação política em Londres, impôs uma condição: que a Câmara dos Comuns aprove o Acordo de retirada na próxima semana".

Em caso contrário, o "Conselho Europeu aprova uma prorrogação até 12 de abril de 2019 e confia en que, até esta data, o Reino Unido indique uma forma de proceder", destacaram os 27.

Esta segunda data não é trivial, pois neste dia o Reino Unido deve decidir se participará nas eleições de maio para o Parlamento Europeu, o que implicaria a prorrogação de sua presença na UE.

Quase três anos depois do referendo de junho de 2016 no qual 52% de britânicos votaram a favor do Brexit, May considera que isto representaria um "fracasso" e, portanto, se declarou determinada a fazer de tudo para evitar o cenário.

"Farei todos os esforços possíveis para garantir que possamos chegar a um acordo e fazer nosso país avançar", afirmou.

A tarefa, no entanto, parece ainda mais difícil depois que May fez duras críticas aos deputados na quarta-feira.

O acordo negociado pela chefe de Governo com Bruxelas enfrenta a rejeição da oposição pró-UE, com alguns parlamentares que desejam a anulação do Brexit e outros que defendem uma relação estreita com a UE. Mas também é criticado pelos eurocéticos - que observam concessões inaceitáveis ao bloco europeu -, muitos deles integrantes do Partido Conservador, o mesmo de May.

"Sei que os deputados nos dois lados do debate têm opiniões apaixonadas, e respeito as diferentes posições", afirmou a primeira-ministra, em uma tentativa de acalmar os ânimos depois de expressar publicamente sua "frustração" com o Parlamento.

"Sei que os deputados também estão frustrados. Eles têm trabalhos difíceis a fazer. Espero que todos estejamos de acordo, agora estamos no momento da decisão", completou, em uma espécie de pedido de desculpas.

Mas está claro que ainda resta muito caminho oela frente.

A deputada trabalhista Mary Creagh pediu ao Parlamento que "impeçam agora Theresa May".

"Se necessário, os deputados rejeitarão pela terceira vez seu acordo quebrado do Brexit", disse, antes de convidar a população a participar da manifestação convocada para sábado para exigir um segundo referendo, que poderia anular o Brexit.

No outro lado, Nigel Farage, um dos grandes defensores de uma saída "dura" da UE, voltou a afirmar que o acordo de May "não nos proporciona um verdadeiro Brexit".

"De Brexit só tem o nome", afirmou.

Uma fonte europeia afirmou que, antes da reunião de quinta-feira em Bruxelas, o presidente francês Emmanuel Macron acreditava que May tinha 10% de chances de aprovar seu acordo na próxima semana.

Depois de ouvir o discurso da britânica, ele reduziu sua expectativa para 5%, de acordo com a mesma fonte.

"Você é muito otimista", teria comentado o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

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