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Internacional

Venezuela sofre novo apagão e governo denuncia 'ataque' ao sistema elétrico

25/03/2019 19h11

Caracas, 25 Mar 2019 (AFP) - Um novo apagão afetava, nesta segunda-feira, várias regiões da Venezuela, incluindo Caracas, quase 20 dias depois de um episódio similar que paralisou o país por uma semana, constatou a AFP.

O governo de Nicolás Maduro denunciou que o problema foi causado por um novo "ataque" contra o sistema elétrico nacional e garantiu que o serviço está sendo restabelecido.

Trata-se de "um ataque ao centro de armazenamento e transmissão do nosso sistema elétrico nacional", especificamente na central hidroelétrica de Guri (estado de Bolívar, no sul), disse o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, na televisão estatal.

Pelo menos 15 dos 23 estados e Caracas foram afetados, de acordo com usuários nas redes sociais que utilizaram a hashtag "#SinLuz" ("#SemLuz") para relatar os cortes no Twitter.

O fornecimento de eletricidade foi interrompido às 13H20 local (14H20 de Brasília), afetando de imediato os semáforos, o metrô, as redes de telefonia celular e internet e o comércio de Caracas, que rapidamente fechou as portas, constatou a AFP.

Alguns hospitais suspenderam o atendimento na capital, segundo usuários do Twitter.

"Esta situação já está demais porque afeta as carnes, os frangos, tudo que é comida se estraga, é perda total", informou Leo, de 19 anos, funcionário de um restaurante do centro comercial San Ignacio, na região leste da capital venezuelana.

A seu lado, uma dezena de funcionários se sentaram na rua para esperar resignados, já que nenhum deles crê que a luz vai regressar nas próximas horas.

"Agora devemos caminhar por toda Caracas porque não há metrô", se queixou Alejandra, que trabalha como caixa no restaurante, a uma jornalista da AFP.

"Tudo graças a nosso presidente, que depois joga a culpa nos Estados Unidos", ironizou.

Em Maracaibo, capital do estado de Zulia e onde se concentra a produção de petróleo no país, os internautas informaram que o serviço se encontra "instável" e que a luz "vem e vai".

"De novo o apagão, não Deus meu, não", tuitou Flore Melero, de 29 anos e que vive na cidade de Ocumare del Tuy, a sudeste de Caracas.

- Sete dias consecutivos de apagão -O país superou um apagão generalizado há alguns dias, de 7 a 14 de março, o que complicou as comunicações, a distribuição de água e combustível, bem como o fornecimento de alimentos.

Também teria causado, segundo relatos, a morte de mais de uma dúzia de pacientes em hospitais.

O governo de Nicolás Maduro, em seguida, acusou os Estados Unidos por "ataques cibernéticos" contra a principal usina hidrelétrica do país, com o apoio da oposição, que tem à frente o líder parlamentar Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino da Venezuela e reconhecido no cargo por Washington e 50 países.

A oposição atribui a crise da eletricidade ao abandono da infraestrutura e à corrupção

Cinco dias após a primeira série de apagões, Maduro informou que o serviço de energia estava restabelecido em quase toda Venezuela. Pouco depois anunciou uma reestruturação de seu gabinete e prometeu uma "transformação profunda" das empresas do setor.

A situação de emergência levou o governo a suspender a jornada de trabalho e as aulas por sete dias.

As quedas de luz são frequentes no país petroleiro, e sistematicamente o ministro da Eletricidade, general Luis Motta, os atribui a sabotagens da oposição.

- "É cruel"-"É cruel, tudo deixa de funcionar.. nos dias de apagão não podemos fazer nada, não há Internet, não há acesso a nada", declarou Yendresca Muñoz, uma analista bancária de 34 anos. A única esperança é "a queda deste governo", acrescentou.

Guaidó se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro diante de uma multidão, após o Parlamento - de maioria opositora - declarar Maduro "usurpador" por considerar como "fraudulenta" sua reeleição no dia 20 de maio de 2018.

Contudo, o líder da oposição ainda não conseguiu até agora quebrar o principal pilar de sustentação do herdeiro político de Hugo Chávez (1999-2013): as Forças Armadas, com amplo poder político e econômico.

Com Maduro, a cota de militares ocupando cargos no Executivo chegou a 43,7% em 2017, e hoje está em 26,4%, segundo a ONG Controle Cidadão.

Dos 32 ministros, nove são militares e estão à frente de pastas como Defesa, Interior, Agricultura e Alimentação, além da PDVSA - empresa estatal de petróleo responsável por 96% das receitas do país - e do serviço de inteligência.

Guaidó prepara uma passeata até o palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, para assumir o controle do governo, numa data a definir. O opositor não descarta pedir ao Legislativo que autorize uma intervenção militar estrangeira.

Washington, principal aliado do autoproclamado presidente interino, também não exclui uma ação armada para derrubar Maduro, e já atua no campo econômico com sanções para asfixiar economicamente o país. A principal medida é o embargo ao comércio de petróleo que entrará em vigor em 28 de abril.

Em meio a esta crescente pressão internacional para que abandone o poder, Rússia e China, principais credores da dívida externa da Venezuela (estimada em 150 bilhões de dólares), se converteram nos grandes aliados de Maduro.

Como parte deste apoio, a agência estatal russa Sputnik confirmou que duas aeronaves das Forças Armadas russas aterrizaram no sábado no aeroporto internacional de Maiquetía, em Caracas, transportando militares e equipamentos.

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