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Embaixada do Brasil em Jerusalém seria 'agressão desnecessária', diz diplomata

21.out.2013 - O diplomata Ibrahim Alzeben, embaixador palestino em Brasília  - Zanone Fraissat/Folhapress
21.out.2013 - O diplomata Ibrahim Alzeben, embaixador palestino em Brasília Imagem: Zanone Fraissat/Folhapress

26/03/2019 20h53

O embaixador palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben, advertiu nesta terça-feira que uma eventual transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém seria uma "agressão desnecessária", que poderia tornar o Brasil em "parte de um conflito", em detrimento de sua tradicional neutralidade diplomática.

Em entrevista à AFP nas vésperas da visita de Bolsonaro a Israel, Alzeben disse que o presidente palestino, Mahmud Abbas, também espera receber o líder brasileiro nos territórios palestinos.

"Transferir a embaixada, e não apenas a do Brasil, mas a de qualquer país do mundo (...) para Jerusalém é uma agressão desnecessária, uma agressão ao direito internacional e aos nossos direitos", declarou o embaixador.

"O Brasil sempre (...) foi um promotor do processo de paz. Não entendo, não consigo entender nem justificar esta posição de querer ser parte de um conflito entre Palestina e Israel".

Bolsonaro, um capitão da reserva do Exército, viajará entre 31 de março e 3 de abril para Israel, onde pretende se reunir com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Em seu alinhamento com os governos conservadores e nacionalistas, Bolsonaro prometeu durante a campanha eleitoral e após assumir a presidência que levaria a embaixada do Brasil para Jerusalém, seguindo os passos do presidente americano, Donald Trump.

Mas a questão saiu da pauta diante dos sinais dos países árabes de que poderiam adotar represálias comerciais. O chanceler Ernesto Araújo declarou na semana passada que o governo brasileiro "ainda analisa" a transferência da embaixada.

Israel considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital indivisível, enquanto os palestinos querem instalar em Jerusalém Oriental a capital de seu futuro Estado.

Para a comunidade internacional, o status da Cidade Santa tem que ser negociado entre as duas partes e as embaixadas não devem ficar em Jerusalém até que haja um acordo.

O Brasil - onde convivem em paz as comunidades judaica e árabe - mantinha a mesma postura da comunidade internacional.

O embaixador palestino disse ainda que Abbas espera que Bolsonaro aceite o convite para visitar os territórios palestinos na viagem no início de abril.

"Ainda temos quatro ou cinco dias e esperamos que o senhor presidente aceite o convite da Palestina", disse Alzeben.

Na semana passada, Araújo disse que Bolsonaro não pretende visitar os territórios palestinos durante sua viagem a Israel.

O Brasil reconheceu a Palestina como Estado em 2010, sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva.

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